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6 de fevereiro de 2015

Poema...

O corpo agrada-me não as palavras nem o beijo apenas a carne na minha não sabe a música nem o poema não quero que fique apenas a passagem na noite fria na aurora abro-me ao mar virá sentir-me

8 de maio de 2013

Vem

Vem
pegar-me ao colo, embalar velar meu sono 
ser guerreiro amo servo
no vazio desbravar mundo novo 

se não estiveres preparado
não for o lugar, não for o momento
o vento devolve meu chamamento

só navio será em meu mar oculto

7 de abril de 2013

Perdão


Disseste, num impulso, TUDO!
(merecesse ou não...)

colhi a mágoa em meu ser
brotando lágrimas sem razão
(ainda muito imperfeita sou)
... depois respirei respirei respirei
e sem de nada te arrependeres
dou-te o meu perdão

será inconsequente, bem sei
nada do que escrevo lês

2 de abril de 2013

...

Junta os pulsos e abre as mãos
procure cada dedo seu semelhante e toquem-se docemente... 
- nunca unindo as mãos para que livres se renovem
assim éramos nós

aquando do vento forte cada dedo perdeu o par
sem despedida
as mãos sempre abertos e os seus dedos voaram

24 de março de 2013

Fada da Escrita

Hoje fui uma das 30 Fadas nomeadas pela Casa de Chá Perlimpimpim da Praia da Vagueira.
Promovo a Perlimpimpim desde o início porque a considero uma iniciativa de grande coragem e amor pela arte e pela cultura e que dá vida, cor, lazer e fraternidade ao concelho de Vagos e limítrofes.
Para a honra que sinto e que já agradeci, sei que a minha tarefa não será das mais fáceis,,, sou a Fada da Escrita.
Que consiga ter engenho e arte para este desafio que aceitei hoje.
Que as palavras se soltem, que as levem o vento o mar as areias, nomeando a Praia da Vagueira por lugares desconhecidos. 

20 de março de 2013

Primavera - lembrei-me de ti Bela


Primavera.
Hoje lembrei-me de ti Bela.
Podiam ser os campos floridos, o Sol, quem queria que viesse à tardinha, este queimar que tanto é fogo como me gela… podia ser Évora e Diana, os estudantes de batina as freiras, o que haverá que de ti não lembre?!
Mas foi apenas um livro grande em papel rico com o teu nome; uma senhora castelhana escreveu sobre ti, aglutinou poemas e assim fez-se doutorada.

Doutora com sentido estético, pessoa de berço, educação clássica, riqueza: a edição é luxuosa, desenhos, letras de cor…

Terias gostado dum livro assim, merecias livros assim.
Fiquei zangada com o Mundo por ti e teu sentir, em que por mais que teime ainda vejo o meu…

Aquele luxo, aquelas páginas todas eram uma ofensa, quando o ouro o néctar eras/és tu o teu sentir o teu amar o teu fruir... 
Depois pensei sendo a senhora doutorada e tão esmerada deixai-a viver qualquer coisinha…
De ti, a ti, basta o sentir (os poemas) tudo o mais é(seria) inócuo e pouco…

19 de março de 2013

Sinal

Apetece-me escrever... não sei se há amanhã
mas mesmo se houver é de hoje este respirar
o trabalho feito, o cansaço, o Sol, o anoitecer
nada volta a ser igual

Em cada manhã inicio-me
e não sei se ainda irei esperar o teu sinal.
se o fizeres como hoje o esperava 
pode já ser fora do tempo que te dou... 

e assim à cautela escrevo hoje
depois não digas que o Universo não te avisou.

13 de março de 2013

Confraria Gastronómica As Saínhas

Criada a 8.de Março de 2008 a Confraria Gastronómica As Saínhas celebrou em Vago, no passado dia 9 de Março, 5 anos de empenho e dedicação na divulgação da gastronomia tradicional portuguesa.
Um produto típico e único conhecido de muitos, embora com outras denominações.
Desde criança que convivi com  a matança do porto.
Era um misto de convívio com familiares e conhecidos, em que me era distribuída a função muito nobre de servir a aguardente aos homens de manhã cedo e de práticas horríveis como o grunhir do animal ( em que me metia na cama a chorar e a concentrar energias para que o animal resistisse à morte, que coitado se algum efeito tinha era o de lhe prolongar o sofrimento!...). Ainda criança foi elevada na minha função a responsável pela fritura das vísceras, de que me gabava pois aprendera com a minha avó materna que era Mestra em tudo o que fazia e adicionara um pouco de criatividade pessoal... Só que não comia nada do que se cozinhava e comia naquele e nos dias seguintes proveniente do animal, com excepção do que chamavam rissol...
Eis que 40 anos passados sou Confrade do dito, apenas com outro nome!
A verdade é que quase não como carne, mas esta iguaria faz parte dos meus alimentos de eleição.
Comer mas não abusar por causa do colestrol.
Ou então façam como eu, que sou sempre intensa no que faço,: abuso sempre  mas como só de algumas vezes no ano.
Acompanhar de preferência com um copo de bom vinho tinto e um bocado de broa ( prefiro a de centeio, mas sabe fica bem também com uma padinha de Vale de Ilhavo ou uma fatia de pão alentejano, de Mafra, de Rio Maior...)
A utilização desta parte do porco advém da precariedade de meios de subsistência mas também da enorme capacidade humana, nomeadamente a dos mais pobres, de criar alimentos saborosos apesar da simplicidade dos ingredientes...
Convido quem não conhece a provar!
Pelos produtos portugueses, pela nossa singularidade!

29 de janeiro de 2013

Teimosia

Tantas palavras te digo
incansável te procurei
e no silêncio da muralha te ocultas
às vezes voo
poiso no dorso do teu camelo
canto para ti, o rouxinol da manhã

 e só o Sol deixas entrar em ti
queres-te pleno independente sábio
na esteira da noite te acolhes
sem Lua sem nada
e a mulher em mim teima
o impossível na tua descrença

vergando-nos o tempo
gelados dilacerados famintos

(inédito)

2 de dezembro de 2012

Vida, folha branca


A vida é a folha branca
ilumina-me o teu olhar sorriso, o rosto
o coração palpita, o corpo sente sente

as gaivotas ficaram negras esta noite
e voam voam: o Sol voltará amanhã!
eu como serei sem ouvir a tua voz?!

não são minhas as palavras
são tuas as que escrevem na areia

inédito, 2007/2012
(não autorizo a publicação, por susceptível de aperfeiçoamento) 

21 de novembro de 2012

Agrilhoados


Não há maior inimigo que aquela que advém da precaridade do trabalho e do mísero vencimento, que elimina a capacidade de reivindicação e de luta pelos seus próprios direitos e a capacidade de sonhar... Ainda se dizem livres homens e mulheres do meu país, mas já não são! Vejo escravos: agrilhoados às dívidas, à sobrevivência e conforto dos seus, em que as emoções belas e puras cedem perante a racionalidade... São as novas formas de opressão cujos frutos farão de nós portugueses um povo ainda mais acomodado, atrasado e triste. Não sei quando nos libertaremos deste trágico modo de existir, nosso destino libertará nosso fado e a plenitude do viver saberemos usufruir... E tanto politica, como intimamente, engana-mo-nos em quem surge inesperadamente, qual Desejado, que aparenta trazer o El Dorado resolvendo nossas dores e problemas...
Queremos acreditar e acreditamos. Até que o nevoeiro  se desvanece e seu rosto real vemos!... Não demos nenhum passo em frente, mas o nosso tempo, nossa vida, fomos perdendo ...

13 de novembro de 2012

(sem título)

Olha as estrelas brilhantes
tão longínquas esta noite… meu amor
espera, detém-te um pouco
no perfume que adoça a pele de teu corpo
deixa que escorra
o beijo em sangue que te dei

depois se queres segue caminho
não sei se é céu se é mar...
a ilusão desse azul negro que clareia

temo que das estrelas te percas
tão longínquas como eu... meu amor
e o brilho de teus cabelos louros
em minha concha mais recôndita guardei
  (inédito, 2012)

12 de novembro de 2012

Mágoa

Não tingirei minha mágoa com fel
cairá gota a gota
durante a noite em segredo
e cristalina
alimentando a terra em meu jardim

na primavera nascem novas flores

( inédito- 2012)


7 de novembro de 2012

Esta noite

Na noite bordarias a cama de flores
ao amares-me continuarias a amar-me
e não sentiria este imensurável silêncio
onde todas as palavras me adormecem

jorraria a luz sábia de todas as coisas
alimentada pela certeza do amor
... mas deixei que o tempo te levasse

A dor entregar-me-ia plena à Poesia
nada em mim é pequeno!... tu sabes
a concreta existência não me prende
o impossível levanta meu eterno voo
e impossivel agora apenas o teu amor

6 de novembro de 2012

Sprint

Não basta provar a boca, bebê-la fresca
nem correr o corpo só visando a meta
fazer o sprint, mais rápido que o outro

não basta erguer bandeira espetada a haste
medalhares-te, como em baliza para chutar

brilhantes serão os olhos ao descansar 
o cântico dos óasis, não guerra e vitória
e na verdade tudo será apenas conquista
querendo ser conquistador e conquistado

(inédito, 2012)
e como digo sempre
sujeito a alterações até que o publique em papel

31 de outubro de 2012

Mortiça

Mortiça com a terra adormeço
cansada gasta seca gretada...
a noite é luz, clareando ondas e celeste azul

de manhã
florinhas de água cobrem a terra de branco
meus olhos noivam
minha alma é assim! como a terra morre
e renasce outra vez

26 de outubro de 2012

Neruda


Palavras de Neruda, repetem-mas
uma      
outra
outra vez

trazem-me o Amor
serei de novo Matilde
a única nos olhos de quem me lê

 

15 de outubro de 2012

Grito

Queres roubar-me ainda a mesa a casa o carro...

não sou mendigo! não sou do vento
meu corpo minha vontade a alma precisam de alimento
meu avô meu pai espelham a honra!

e eu deite-te as minhas mãos o suor meu pensamento...

( 2012, Outubro)

9 de outubro de 2012

Évora

Évora
pág 30 do meu pimeiro livro de Poesia " Alentejo Sem Fim", ed. 1999
relembro este pequeno poema que me parece tão urgente agora.

Já no séc. passado em pelo apogeu do capitalismo escrevia assim:


Évora

 

O Alegre viu em Évora

a Ogiva

o Branco

os Cálculos da exactidão

 

Quem me der ver em Évora

o Querer

o Viver

o Poder da Restauração

7 de outubro de 2012

Minha Mão


A mão, sinto a minha mão
pele veia carpo metacarpo dedos
sangue
não em outrem, minha mão em mim
rosto corpo dou recebo afago prazer
sem culpa medo

outras mãos em mim
nunca assim perfeito inteiro único