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2 de junho de 2013

Azinheira

Era papoila viçosa selvagem delicada (ninguém se detém em flor pequena) e foi rosa, botão desabrochando pétalas enebriando corpos em seu perfume


agora azinheira de envergonhada flor de mortiça copa em agachado porte na terra enraizando sempre…


quando chegar o último inverno arderá plena celebrando sua essênciademoradamente

 inédito, Maio 2013)

4 de outubro de 2012

O meu desejo da palavra, sublimada

o desejo da boca sedenta
a tua ausência sempre...

não quero apenas flores pásssaros
o azul céu infinito
agora meu mar também

ando descalça pelo monte
rasga-me esta dor solitária
só o vento toma posse de mim...

27 de janeiro de 2012

Alentejanos im Morada da Poesia

ALENTEJANOS



Os alentejanos caiam a terra da casa de branco
imaculada como a mãe
farejam-na como cães

... orégão poejo cardo para conduto do pão

no touro no Sol e papoilas derramam sangue vermelho
calam palavras e sonhos... lágrimas seca-as o vento
só grilos cigarras e corvos quebram tanto silêncio!


a esperança é ao nascer que o seu destino é partir
tão antigo esse anseio como a amargura de o fazer
solidão de vagabundo de que meu corpo é possuído!


( de Maria José Lascas in "Morada da Poesia, poetas celebram Manuel da Fonseca", desenhos de Manuel Passinhas e edição da C.M. de Castro Verde)

13 de outubro de 2011

Impostos

Despe-me a roupa que me deu forma, confere bem etiquetas


desce-me dos saltos que me alteiam

... arranca-me os brincos a que dão brilho meus olhos

tira-me a mesa, tolha subtileza da chávena vinho queijo pão

leva a cama, o brocado da colcha o cetim e a seda dos lençóis

todos os adobes e as tijoleiras do chão

(não, nem abóbadas nem arcos! meu pai os fez com a mão!

nem a cabana de jasmim que o amor me teceu)

o resto leva tudo! ficar-me-á sempre o infinito...

o Sol o céu azul a Lua-Cheia os pássaros meus irmãos

o meu sentir a minha paixão

poderás arrancar-me da terra, nunca a terra de mim

leva lápides de mármore e as ossadas de meus avós

sempre foram servos teus

esse é o poder do direito e a fraqueza do Império

… e nem há naus a lançar ao mar

nem filhos a dar à Índia ou ás granadas dos turras

e já nem há como partir, p’ra onde partir

nem jornaleiros para fabris, França ou Brasil

(que tão longe se fez Lisboa)



ficarei, despojada de tudo o que partir me deu

presa de novo ao horizonte

o pobre braço nem a colher da terra aprendeu!

- e é tanta a terra sem nada a fazer

como outros buscarei comida p´ra boca

na arte daqueles que fogem da morte

Lótus Cleópatra Madalena – um nome assim terei

hortelã da ribeira e orégãos do monte

tão saborosos mesmo em mesa de rei

nunca matam a fome à ganância das bestas….



9 de agosto de 2011

Santiago do Escoural

Santiago do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, é conhecido sobretudo pelos seus achados arqueológicos, nomeadamente pela gruta com pinturas rupestres. Mas oferece mais do que isso a quem se dispuser a viajar, pela memória dos chocalhos das fontes dos fornos de cal ou simplesmente pelos manjares da boa mesa tradicional no Restaurante do Manuel Azinheirinha...

Algumas instantes do meu olhar:








31 de maio de 2011

A minha Avò


A minha Avó

A avó da minha avó, nem sei que nome tinha, o enxoval bordava de menina (lençóis camisa e toalhinha). 
Já moça na seara o olhar de soslaio bastara, no baile a dança à janela o beijinho na face e com ajudas galinhas vinho o casamento se fazia…
Mulher de respeito, cavava plantava mondava regava ceifava, a casa de branco caiava e de tão limpa no telhado nenhum ninho durava. Amassava, a lenha apanhava o forno acendia e o pão para a semana cozia. No tempo devido tratava do pimentão, das tripas dos enchidos, do coalho e do cardo, das azeitonas e no Carnaval dos fritos... Carregava água com o cântaro à cabeça e outro à ilharga, muitas vezes prenha, fazia a barrela e lavava, torcia cosia  remendava e com o ferro de brasas toda a roupa passava. Na enxerga seu homem satisfazia e quando paria amamentava adormecia benzia curava ensinava corrigia castigava perdoava absolvia…
Os mortos velava com choro e com reza, cuidava das campas, dos velhos, da cria… E côdea dura p’ro mendigo sempre haveria.

Não deixou anel de ouro nem pulseira nem fio.
O alguidar as panelas a salgadeira a talha dois pratos de louça fina o vestido e o xaile deixou tudo às filhas, que dela  aprenderam e como elas suas filhas fizeram.
Serei adoptada, inacabada ou tonta... tanto vi fazer e nada aprendi. Perdida, sem destino a cumprir, procuro-me no espelho, retoco o batom, revejo o verniz… Atrás de mim todas elas e atrás delas outras tantas, de pé e serenas, sem boca nem olhar, só as mãos rugosas para servir ainda prontas.

3 de novembro de 2010

16 de outubro de 2010

20 de setembro de 2010

11 de junho de 2010

Arraiolos, o tapete está na rua

Em Arraiolos o tapete está na rua até  ao dia 13 de Junho.

Tapete de arraiolos significa: artesanato dedicação trabalho subsistência valor etc.
Gosto muito de tapetes de arraiolos genuínos - nos desenhos na qualidade das lãs nas cores no ponto e nas mãos das tecedeiras de Arraiolos.
Valorize-se o que é bom e é nosso, exigindo a respectiva certificação!
"Não compre gato por lebre" e sobretudo não insulte os nossos tapetes dando o seu nome às imitações - muitas delas feitas com cores incorrectas e mão de obra escrava.

Bem haja às gentes de Arraiolos que se empenham nesta mostra com simpatia e autenticidade.
Gostei muito!

9 de junho de 2010

Alentejo . cavalos

Há sempre um alentejano menos reservado...

29 de dezembro de 2009

S.Brissos, Montemor-o-Novo




Apesar da chuva e frio, foi possível iluminar o olhar no lugar de S.Brissos, no concelho de Montemor-o-Novo, freguesia do Escoural.
Os frescos do interior da Igreja ficaram para a próxima visita, bem como a imagem de Nossa Senhora do Livramento na Anta Capela.



13 de outubro de 2009

Apenas um passo na defesa das espécies

Nesta semana profícua em legislação, publicação do Código da Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade e das alterações ao Código de Processo de Trabalho..., foi também publicada a portaria nº 1226/2009, a 12 de Outubro, dos  MINISTÉRIOS DO AMBIENTE, DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL E DA AGRICULTURA, DO DESENVOLVIMENTO RURAL E DAS PESCAS.
com o seguinte teor:
De acordo com o disposto no n.º 2 do artigo 8.º do Regulamento (CE) n.º 338/97, do Conselho, de 9 de Dezembro de 1996, relativo à aplicação da Convenção de Washington, sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), os Estados-

-membros podem adoptar e manter medidas mais estritas no que respeita à detenção de espécimes de espécies incluídas nos anexos do referido Regulamento, nomeadamente no sentido de proibir essa detenção ou estabelecer condicionamentos.

A aprovação destas medidas de proibição ou condicionamento o de espécimes vivos de determinadas espécies prende -se, no essencial, com motivos relacionados com a conservação dessas espécies, com o bem -estar e a saúde desses exemplares e com a garantia da segurança, do bem -estar e da comodidade dos cidadãos em função da perigosidade, efectiva ou potencial, inerente aos espécimes de algumas espécies utilizadas como animais de companhia. No n.º 2 do artigo 2.º do Decreto -Lei n.º 211/2009, de3 de Setembro, que estabelece as medidas necessárias ao cumprimento, no território nacional, quer da referida Convenção quer dos regulamentos comunitários sobre a matéria, encontra -se previsto que a proibição da detenção de
pécimes vivos das espécies consta de lista a aprovar por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do ambiente, da agricultura, da floresta e das pescas.
Dado que o artigo 33.º do Decreto -Lei n.º 211/2009, de 3 de  Setembro, estatui que a regulamentação deve ser publicada no prazo de 60 dias a contar da data de entrada em vigor do referido diploma legal, impõe -se cumprir a obrigação assinalada.


Assim:


Ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 2.º do Decreto- Lei n.º 211/2009, de 3 de Setembro:


...

1.º É proibida a detenção de espécimes vivos das espécies incluídas na lista constante do anexo I da presente portaria, que dela faz parte integrante, bem como dos híbridos deles resultantes.


2.º O disposto no número anterior não se aplica a espécimes detidos por:


a) Instituições científicas, para tal autorizadas pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade


(ICNB), I. P.;


b) Parques zoológicos, na acepção do Decreto -Lei .º 59/2003, de 1 de Abril, após parecer do ICNB, I. P.;


c) Entidades devidamente autorizadas pelo ICNB, I. P., e nos termos do regime de exercício da actividade pecuária, para criação em cativeiro para fins de produção animal;


d) Entidades devidamente autorizadas pelo ICNB, I. P., para criação em cativeiro integrada em projectos de conservação da natureza;


e) Centros de recuperação e pólos de recepção de espécimes dos, devidamente autorizados pelo ICNB, I. P.


3.º A detenção de espécimes de qualquer espécie da


ordem Cetacea por parte das entidades identificadas na


alínea b) do número anterior apenas é permitida quando


se trate de:


a) Espécimes nascidos e criados em cativeiro, incluindo


a 1.ª geração (espécimes F1);


b) Espécimes apreendidos;


c) Espécimes em recuperação.


4.º Os detentores que, à data de entrada em vigor da presente portaria, possuam legalmente espécimes vivos das espécies incluídas na lista constante do anexo I, bem como híbridos deles resultantes, devem proceder ao seu registo no ICNB, I. P., no prazo de 90 dias, não sendo permitida a aquisição de novos exemplares nem a reprodução daqueles que possuam no momento do registo.


5.º Os detentores de espécimes das espécies listadas no anexo II da presente portaria, que dela faz parte integrante,


têm de ser maiores de idade e registar os espécimes detidos no ICNB, I. P. 468 Diário da República, 1.ª série — N.º 197 — 12 de Outubro de 2009


6.º A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.


.... 

*

E em anexo seguem-se as espécies.

Talvez  esteja para breve, por exemplo, o fim do cativeiro de fome do rei da selva nos circos.  
Só que logo em seguida são publicados diplomas autorizando novas reservas de caça, alterando normas relativas à emissão da carta de caçador, demonstrando que não existe o mínimo propósito de acabar com esta prática selvagem sobre outras espécies.

Não não me venham com argumentos de que é uma prática humana milenar a preservar - senão alguns de nós também deveriamos viver em cavernas tal qual as do paleólitico para preservar o homem dessa época. Não me venham com o argumento de que a caça serve de suporte alimentar àqueles que vivendo em zonas rurais dispões de menos meios económicos. Somem o preço da carta de caçador, licença de uso e porte de arma, licença de caça, preço da arma de caça, sustento de cães, anuidade na reserva de caça ou pagamento por caçada em reserva turística... e depois comparem com a RMN ( 550,00 euros/mês). Será que são os mais pobres que se dedicam à caça no nosso país? Evidentemente que não! E é por isso mesmo, pelo interesse económico de uns e pela influência política de outros que a caça continua...
E não me venham ainda - tal MST ( neste contexto estamos nos antípodas) - com o argumento de que na caça o mais importante é a maresia o cheiro a terra o silêncio o convívio as almoçaradas...
Experimentem levantar-se à mesma hora equipar-se com botas cantil e caminhar pelos mesmos lugares... Aí sim, podem escutar o silêncio! Ou, se preferirem, surpreender-se com uma ninhada de coelhos estiraçados ao sol, seguir o rasto das perdizes... Máquinas fotográficas também não são incompatíveis, nem intercâmbio de imagens. E quanto a almoçaradas há tantos pretextos, para a ementa sugiro açorda de coentros...  

Cresci rodeada de caçadores e ainda existem à minha volta.
Sempre me senti isolada neste meu protesto.
E tenho consciência que estas alterações pressupõem uma alteração cultural ou uma alteração de consciência que leva gerações ou séculos.
È muito difícil lutar contra o poder económico.
Mas sei que na nova geração crescem muitas sementes de mudança - a ecologia faz parte do seu vocabulário.
A minha geração tinha na boca as palavras liberdade e igualdade, como preocupações individuais e colectivas. E há quem nos acuse de ter criado os filhos na abundãncia e desperdício, sem regras sem obrigações....

Mas se não acontecer antes, ao chegarem à adolescência, com a precaridade de trabalho, a asfixia urbana, a mobilidade geográfica, as ameaças da natureza em consequência das condutas humanas, acordarão, por certo, para uma vivência de acção e menos panfletária que a minha..

Tudo evolui, a natureza as sociedades o pensamento... A mudança é constante, mas o ritmo da mudança pode ser lento, tão subtil que nem damos conta, ou veloz como um tufão.
Eu convenço-me de que dentro de alguns anos um tufão terá que cruzar a Terra. 

6 de outubro de 2009

Terra-Mãe

Do Alentejo guardo os melhores aromas e os melhores sabores, o mais belo cante e o mais profundo silêncio, o melhor sono e o mais feliz despertar.
Do que foi, ou é, menos bom tento libertar-me.
Esta imagem é só um exemplo de como a terra amada retribui com frutos divinos.

São marmelos do meu jovem marmeleiro.
É o segundo ano que dá frutos, enormes e aos cachos.
No Outono passado deu apenas um fruto, o mais doce que já comi.

10 de agosto de 2009

BROTAS, a terra do meu bisavô André Alves Salgado














Desde pequena que ouvia contar histórias sobre o meu bisavô André, pai da minha avó paterna, não tendo conhecido nenhum dos dois por já terem falecido.

Eram ambos naturais das Brotas, tendo o meu bisavô ido para Lavre, na qualidade de viúvo com os filhos pequenos, entre 1920 e 1930 com a finalidade de aí cultivar terras que se arrendavam e vendiam.
O meu pai falava dele como dum ídolo, homem corpulento e de palavra, mais valente e corajoso de que qualquer outro da zona, respeitado e temido... Um "self made man" a quem o pai endinheirado terá recusado a perfilhação, vindo a procurá-lo em adulto porque os filhos não tinham juízo suficiente para tomar conta das terras. Terras que, orgulhosamente, recusou, seguindo o seu caminho...
Já há alguns anos foi conhecer as Brotas e andei à procura dessas minhas raízes... Descobri que o meu bisavô nasceu quando a mãe Filipa tinha 40 anos e era viúva, e ele ficou com o apelido do seu avô materno "Alves Salgado", proprietário morador no lugar do Monte do Meio, freguesia das Brotas... Metade das ruas têm o nome de pessoas com o apelido Salgado.
Para almoçar ou jantar tem um restaurante muito bom " O Poço".
Visite as Olarias, o Santuário de Nossa Senhora das Brotas e conheça o seu milagre...
E muito próximo fica o Fluviário de Mora, também a não perder.
Quanto à mítica Torre das Águias, fica em propriedade privada... Os visitantes não são bem vindos...
As Brotas são hoje por vários motivos um lugar especial para mim.

28 de novembro de 2008

O Zé Azinheirinha


O comentário que se segue foi publicado no seu devido lugar, mas apeteceu-me colocá-lo também aqui. O nosso mundo de hoje coisas maravilhosas e uma delas é a facilidade de comunicação, nomeadamente através da Internet. Foi através da Internet que reencontrei este meu companheiro da Escola Primária passados quase 40 anos! E é através da Internet que ele na Suíça e eu aqui em Portugal, ambos longe da nossa terra, conseguimos este ponto de encontro e de partilha.

O Zé deixou este comentário na sua mensagem "Foros de Vale de Figueira", que passo a citar:


Os Foros sao o meu porto de amarragem.Tudo à volta sao recordaçoes,como as Courelas do Portaleiro,infancia.O Monte do Casao,onde nasci e vivi 4 anos,e onde voltei aos 16,e la conheci aquela que viria a ser minha esposa.Mas onde mais gostamos de viver,foi no Monte da Serra à meia encosta com vista para o hoje moribundo Pinhal da Poupa e as cegonhas que todos os anos vinham nidificar.As cegonhas fazem-me pensar na vida que levo desde 1985.As viagens entre os Foros e a Suiça(emigraçao).Isto sem deixar de ter um grande carinho pela Vila de Lavre,os amigos e amigas que là tenho,e tambem os bons momentos da mocidade.Aqui deixo o meu abraço para todos(as).José Azinheirinha.
Beijos Zé também para a tua família. Comenta sempre e vai dando notícias da neve dos chocolates dos relógios do queijo suiço... e que mais?