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24 de junho de 2013
Estou Cansada
Estou cansada
não é da idade, essa mede o tempo
não a vida o esforço o querer
cansada de correr, ser esta aquela a outra
e de me procurar
cansada de agradar de aceitar de negar
e de me perder
não quero regaço colo o abraço
apenas o descanso do lençol alvo da manhã
a brisa fresca
a meus pés o invisível guardador de sonhos
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8 de maio de 2013
Vem
Vem
pegar-me ao colo, embalar velar meu sono
ser guerreiro amo servo
no vazio desbravar mundo novo
se não estiveres preparado
não for o lugar, não for o momento
o vento devolve meu chamamento
só navio será em meu mar oculto
pegar-me ao colo, embalar velar meu sono
ser guerreiro amo servo
no vazio desbravar mundo novo
se não estiveres preparado
não for o lugar, não for o momento
o vento devolve meu chamamento
só navio será em meu mar oculto
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Poesia
24 de março de 2013
Fada da Escrita
Hoje fui uma das 30 Fadas nomeadas pela Casa de Chá Perlimpimpim da Praia da Vagueira.
Promovo a Perlimpimpim desde o início porque a considero uma iniciativa de grande coragem e amor pela arte e pela cultura e que dá vida, cor, lazer e fraternidade ao concelho de Vagos e limítrofes.
Para a honra que sinto e que já agradeci, sei que a minha tarefa não será das mais fáceis,,, sou a Fada da Escrita.
Que consiga ter engenho e arte para este desafio que aceitei hoje.
Que as palavras se soltem, que as levem o vento o mar as areias, nomeando a Praia da Vagueira por lugares desconhecidos.
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19 de março de 2013
Sinal
Apetece-me escrever... não sei se há amanhã
mas mesmo se houver é de hoje este respirar
o trabalho feito, o cansaço, o Sol, o anoitecer
nada volta a ser igual
Em cada manhã inicio-me
e não sei se ainda irei esperar o teu sinal.
se o fizeres como hoje o esperava
pode já ser fora do tempo que te dou...
e assim à cautela escrevo hoje
depois não digas que o Universo não te avisou.
mas mesmo se houver é de hoje este respirar
o trabalho feito, o cansaço, o Sol, o anoitecer
nada volta a ser igual
Em cada manhã inicio-me
e não sei se ainda irei esperar o teu sinal.
se o fizeres como hoje o esperava
pode já ser fora do tempo que te dou...
e assim à cautela escrevo hoje
depois não digas que o Universo não te avisou.
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Poesia
29 de junho de 2012
Do Amor
Do Amor nada restava
- se a lembrar o passado teimava
nem a aurora do encontro
o fogo sentido, ardendo! queimando
aquele barco longínquo
nem era meu leme nem meu destino
- tuas mãos haviam partido
as lágrimas salgadas
em minhas ancestrais raízes de terra
sementes de mim iriam florindo…
( inédito, 2012, marialascas)
- se a lembrar o passado teimava
o fogo sentido, ardendo! queimando
aquele barco longínquo
nem era meu leme nem meu destino
- tuas mãos haviam partido
as lágrimas salgadas
em minhas ancestrais raízes de terra
sementes de mim iriam florindo…
( inédito, 2012, marialascas)
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24 de maio de 2012
"Florbela", de Vicente Alves do Ó [Teaser do filme sobre Florbela Espanca]
Adorei o filme Florbela, um filme de poesia que nos dá a poesia de Florbela sem precisar de reocrrer aos seus poemas. Argumento e realização de Vicente D'O: FANTÁSTICOS!
A não perder... e quem sabe o primeiro passo para revisitar a poesia de Florbela Espanca ou para querer conhecê-la. Neste filme encontrei muito da "minha" Florbela Espanca, como a leio como a imagino...
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27 de março de 2012
A Espada
Eis o silêncio que escolheste e não faltam palavras
escritas vão e vêm
sem selos cola papel perfumado
o carteiro não toca não há risco de perdê-las
de outrém abrir a carta desvendar o segredo
tantos tantos lêem agora as tuas palavras
e quantos quereriam dá-las recebê-las
tocar-se com elas: como sabes escolhê-las!
de ti não quis palavras
só a profundeza dos olhos dos lábios
as mãos os corpos na busca intensa do silêncio
solitária, julgara um talismã em cada palavra
com uma desferis-te à distância tua espada
incredúla procuro um sentido que não entendo
que faz de em mim entre as mulheres indesejada
( maria jose lascas, inédito, 2012)
escritas vão e vêm
sem selos cola papel perfumado
o carteiro não toca não há risco de perdê-las
de outrém abrir a carta desvendar o segredo
tantos tantos lêem agora as tuas palavras
e quantos quereriam dá-las recebê-las
tocar-se com elas: como sabes escolhê-las!
de ti não quis palavras
só a profundeza dos olhos dos lábios
as mãos os corpos na busca intensa do silêncio
solitária, julgara um talismã em cada palavra
com uma desferis-te à distância tua espada
incredúla procuro um sentido que não entendo
que faz de em mim entre as mulheres indesejada
( maria jose lascas, inédito, 2012)
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13 de março de 2012
Fugacidade
Meu Amor... ainda agora o disseste
e partiste
nem o botão em rosa floriu
o Sol de mergulhar no mar se cansou
nem a andorinha a refazer o ninho voltou
meu amor, disseste
enquanto a roupa caia dos corpos
um ao outtro se conheciam
no breve que a memória não marca
nem o cigarro acendeste
descanso de que carecem os guerreiros...
urgente e inócuo, tempo virtual me parece
sento-me na varanda onde moro
e conheço as palavras inteiras:
plenitude pureza harmonia
refugio-me...
ainda preciso de tempo
para aprender a fugacidade
(inédito, 2012, maria lascas, rascunho)
e partiste
nem o botão em rosa floriu
o Sol de mergulhar no mar se cansou
nem a andorinha a refazer o ninho voltou
meu amor, disseste
enquanto a roupa caia dos corpos
um ao outtro se conheciam
no breve que a memória não marca
nem o cigarro acendeste
descanso de que carecem os guerreiros...
urgente e inócuo, tempo virtual me parece
sento-me na varanda onde moro
e conheço as palavras inteiras:
plenitude pureza harmonia
refugio-me...
ainda preciso de tempo
para aprender a fugacidade
(inédito, 2012, maria lascas, rascunho)
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15 de novembro de 2011
Não Temas
Não temas, não irei esconjurar o teu silêncio
sou apenas a silhueta da noite
se desço sobre a terra quando adormeces
seguro em minhas mãos o peso que carregas
são assim as mães - velando o sono leve
ao acordares dar-te-ia o Sol!
mas tu não acreditas nas minhas palavras
e fechas todas as janelas…
fico a rodar a Lua Cheia
na simetria das horas dos anos que passam
já não tenho a ousadia nem o deslumbre
entrego-me aos pastores e a quem passa
tuas serão as mulheres que queres em tua vida…
e se descer na música das ondas deste meu mar
ao cântico da deusa sucumbirá o teu silêncio…
Novembro, 2011 (rascunho, inédito)
sou apenas a silhueta da noite
se desço sobre a terra quando adormeces
seguro em minhas mãos o peso que carregas
são assim as mães - velando o sono leve
ao acordares dar-te-ia o Sol!
mas tu não acreditas nas minhas palavras
e fechas todas as janelas…
fico a rodar a Lua Cheia
na simetria das horas dos anos que passam
já não tenho a ousadia nem o deslumbre
entrego-me aos pastores e a quem passa
tuas serão as mulheres que queres em tua vida…
e se descer na música das ondas deste meu mar
ao cântico da deusa sucumbirá o teu silêncio…
Novembro, 2011 (rascunho, inédito)
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a poesia é uma arma,
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O Silêncio do Guerreiro
O Silêncio do Guerreiro
Tantas perguntas lhe tenho feito
não sei se o cala o medo ou o desprezo
... perdido meu ombro de mãe procurou
eu dei-lhe o meu corpo todo, conquistado
em mim inteiro! de novo se reencontrou
e depois partiu
ferido em armadura de aço
acusando-me de traição e de cansaço
dele sei a recusa e o silêncio
nem à outra face ferida agradeceu
querendo apenas que sua dor acalmasse
menino guerreiro só respira a vitória
não tombes armado!…
na caverna tem sonhos poesia música vinho
e o desejo de Mulher sem a dor de amar
nada disso, nem de amor, lhe perguntei
e por instantes meu ombro será de mãe
meu corpo já dei…
mas há mim tantos jardins por descobrir
desafios partilhas que só eu darei
júbilo êxtase e verbo que não conhece
venho pelo labirinto das sombras
esse caminho que não leva a ninguém
não temo armaduras o fosso da entrada
tantas muralhas já escalei!...
mas sentirá medo o guerreiro? desprezo?
este seu silêncio ainda me detem...
2011, Novembro
(inédito)
Tantas perguntas lhe tenho feito
não sei se o cala o medo ou o desprezo
... perdido meu ombro de mãe procurou
eu dei-lhe o meu corpo todo, conquistado
em mim inteiro! de novo se reencontrou
e depois partiu
ferido em armadura de aço
acusando-me de traição e de cansaço
dele sei a recusa e o silêncio
nem à outra face ferida agradeceu
querendo apenas que sua dor acalmasse
menino guerreiro só respira a vitória
não tombes armado!…
na caverna tem sonhos poesia música vinho
e o desejo de Mulher sem a dor de amar
nada disso, nem de amor, lhe perguntei
e por instantes meu ombro será de mãe
meu corpo já dei…
mas há mim tantos jardins por descobrir
desafios partilhas que só eu darei
júbilo êxtase e verbo que não conhece
venho pelo labirinto das sombras
esse caminho que não leva a ninguém
não temo armaduras o fosso da entrada
tantas muralhas já escalei!...
mas sentirá medo o guerreiro? desprezo?
este seu silêncio ainda me detem...
2011, Novembro
(inédito)
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11 de novembro de 2011
Carta
Meu amor
hoje só a chuva nos separa.
Não não é o tempo passado que entre nós dois inventamos; mera ilusão a fogueira longínqua apagada.
Arde em ti e em mim o fogo primitivo, elemento puro na essência da natureza.
Coberto ainda pelas cinzas poeirentas fumegam crenças códigos mitos lógicas falsas verdades que nos separavam, deixa meu amor que a chuva caia e leve de vez a cinza que nos amarra que em lama na terra se aquiete e um dia nova vida dela renasça.
Deixa meu amor que clareie em redor e em água limpa se espelhe a luz do fogo(do vulcão, dirias…). Se for vulcão que seja! ou fogueira acesa crepitando azinho, eu descalça em teu colo descobrindo-nos em cada beijo.
Não repetirás palavras dos poetas, as tuas dirás ao espaço aberto em mim desde sempre para as receber.
Nossa é a harmonia da música e do poema do cheiro da terra do marear das ondas da justiça e da coragem que nos irmana e todo o nosso ser arde em desejo.
Haverá rosas vinho pão romãs… e enquanto os dois corpos descansam levar-te-ei a tocar o céu azul da noite e tudo será único como eterno é o instante.
Já não chove meu amor… e por mais que adies o reencontro, acredita, em mim não corre o tempo.
Maria
11 de Novembro de 2011
hoje só a chuva nos separa.
Não não é o tempo passado que entre nós dois inventamos; mera ilusão a fogueira longínqua apagada.
Arde em ti e em mim o fogo primitivo, elemento puro na essência da natureza.
Coberto ainda pelas cinzas poeirentas fumegam crenças códigos mitos lógicas falsas verdades que nos separavam, deixa meu amor que a chuva caia e leve de vez a cinza que nos amarra que em lama na terra se aquiete e um dia nova vida dela renasça.
Deixa meu amor que clareie em redor e em água limpa se espelhe a luz do fogo(do vulcão, dirias…). Se for vulcão que seja! ou fogueira acesa crepitando azinho, eu descalça em teu colo descobrindo-nos em cada beijo.
Não repetirás palavras dos poetas, as tuas dirás ao espaço aberto em mim desde sempre para as receber.
Nossa é a harmonia da música e do poema do cheiro da terra do marear das ondas da justiça e da coragem que nos irmana e todo o nosso ser arde em desejo.
Haverá rosas vinho pão romãs… e enquanto os dois corpos descansam levar-te-ei a tocar o céu azul da noite e tudo será único como eterno é o instante.
Já não chove meu amor… e por mais que adies o reencontro, acredita, em mim não corre o tempo.
Maria
11 de Novembro de 2011
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10 de novembro de 2011
Trieteza-II
O poema é triste, dizem
como se fosse obrigação minha
alegrar almas lamber feridas estancar mágoas
fazer piruetas e palhaçadas
inverter a vida a crise o vácuo
falar só de sexo vinho flores aromas
mil vezes não!
ninguém me tira a liberdade das palavras
são como eu, doces frágeis impetuosas
extravagantes selvagens carinhosas
sentidas e verdadeiras
daçam comigo comigo choram
nascidas de mim em mim morrem
nada devo a quem me lê, nem o silêncio!
do meu amor soltam-se lágrimas
há em mim o rio dum barco inacabado
como se fosse obrigação minha
alegrar almas lamber feridas estancar mágoas
fazer piruetas e palhaçadas
inverter a vida a crise o vácuo
falar só de sexo vinho flores aromas
mil vezes não!
ninguém me tira a liberdade das palavras
são como eu, doces frágeis impetuosas
extravagantes selvagens carinhosas
sentidas e verdadeiras
daçam comigo comigo choram
nascidas de mim em mim morrem
nada devo a quem me lê, nem o silêncio!
do meu amor soltam-se lágrimas
há em mim o rio dum barco inacabado
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31 de outubro de 2011
O Cálice
Seu coração estilhaçado a razão do cérebro comanda
ainda que seja um buraco desarmado é vigilante
e defende até à morte a trincheira conquistada
no azul lunar do céu, longínqua dança das ondas
quase adormecerá… e ninguém o engana tanto!
logo os neurónios realinham:
amordaça o desejo do abstracto tece nova cortina
enxuga o corpo frio suado e corta a língua seca…
haverá dia novo, a máscara tem-na colada ao rosto
jogos de palavras e teatro são o seu ofício
desgraçada daquela que lhe vê o rosto, leia os olhos
conheça brechas na trincheira - instante e partida
jamais servirá dois cálices à lareira
se a campainha toca atenta a chuva na janela
duas, três vezes... é ilusão do vinho forte!
do cansaço do vento, quiça da idade...
a desprezada no marmóreo corpo agoniza sem sangue
do vinho que ele no cálice solitário derrama gritando
a urgência do amor na vida, temendo-o mais que a morte…
inédito, 2011
( rascunho)
ainda que seja um buraco desarmado é vigilante
e defende até à morte a trincheira conquistada
no azul lunar do céu, longínqua dança das ondas
quase adormecerá… e ninguém o engana tanto!
logo os neurónios realinham:
amordaça o desejo do abstracto tece nova cortina
enxuga o corpo frio suado e corta a língua seca…
haverá dia novo, a máscara tem-na colada ao rosto
jogos de palavras e teatro são o seu ofício
desgraçada daquela que lhe vê o rosto, leia os olhos
conheça brechas na trincheira - instante e partida
jamais servirá dois cálices à lareira
se a campainha toca atenta a chuva na janela
duas, três vezes... é ilusão do vinho forte!
do cansaço do vento, quiça da idade...
a desprezada no marmóreo corpo agoniza sem sangue
do vinho que ele no cálice solitário derrama gritando
a urgência do amor na vida, temendo-o mais que a morte…
inédito, 2011
( rascunho)
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25 de outubro de 2011
Vem
Quero-te a ti, não o nome nada do que construíste
quero-te nu, como o seio de mãe te acolheu
vestirás a pele do meu corpo
traz mágoas cicatrizes mesmo o cansaço
... tudo se dilui na harmonia
vem remendando o barco subindo as dunas
qual cavalinho de pau cruzando o deserto
teu destino é a praia que se abre nas minhas pernas
na demora de cada dia que passa
o mar avança e leva de mim um grão de areia
e em ti o vazio cresce na cama onde te deitas
(inédito, 2011, maria lascas)
quero-te nu, como o seio de mãe te acolheu
vestirás a pele do meu corpo
traz mágoas cicatrizes mesmo o cansaço
... tudo se dilui na harmonia
vem remendando o barco subindo as dunas
qual cavalinho de pau cruzando o deserto
teu destino é a praia que se abre nas minhas pernas
na demora de cada dia que passa
o mar avança e leva de mim um grão de areia
e em ti o vazio cresce na cama onde te deitas
(inédito, 2011, maria lascas)
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13 de outubro de 2011
Impostos
Despe-me a roupa que me deu forma, confere bem etiquetas
desce-me dos saltos que me alteiam
... arranca-me os brincos a que dão brilho meus olhos
tira-me a mesa, tolha subtileza da chávena vinho queijo pão
leva a cama, o brocado da colcha o cetim e a seda dos lençóis
todos os adobes e as tijoleiras do chão
(não, nem abóbadas nem arcos! meu pai os fez com a mão!
nem a cabana de jasmim que o amor me teceu)
o resto leva tudo! ficar-me-á sempre o infinito...
o Sol o céu azul a Lua-Cheia os pássaros meus irmãos
o meu sentir a minha paixão
poderás arrancar-me da terra, nunca a terra de mim
leva lápides de mármore e as ossadas de meus avós
sempre foram servos teus
esse é o poder do direito e a fraqueza do Império
… e nem há naus a lançar ao mar
nem filhos a dar à Índia ou ás granadas dos turras
e já nem há como partir, p’ra onde partir
nem jornaleiros para fabris, França ou Brasil
(que tão longe se fez Lisboa)
ficarei, despojada de tudo o que partir me deu
presa de novo ao horizonte
o pobre braço nem a colher da terra aprendeu!
- e é tanta a terra sem nada a fazer
como outros buscarei comida p´ra boca
na arte daqueles que fogem da morte
Lótus Cleópatra Madalena – um nome assim terei
hortelã da ribeira e orégãos do monte
tão saborosos mesmo em mesa de rei
nunca matam a fome à ganância das bestas….
desce-me dos saltos que me alteiam
... arranca-me os brincos a que dão brilho meus olhos
tira-me a mesa, tolha subtileza da chávena vinho queijo pão
leva a cama, o brocado da colcha o cetim e a seda dos lençóis
todos os adobes e as tijoleiras do chão
(não, nem abóbadas nem arcos! meu pai os fez com a mão!
nem a cabana de jasmim que o amor me teceu)
o resto leva tudo! ficar-me-á sempre o infinito...
o Sol o céu azul a Lua-Cheia os pássaros meus irmãos
o meu sentir a minha paixão
poderás arrancar-me da terra, nunca a terra de mim
leva lápides de mármore e as ossadas de meus avós
sempre foram servos teus
esse é o poder do direito e a fraqueza do Império
… e nem há naus a lançar ao mar
nem filhos a dar à Índia ou ás granadas dos turras
e já nem há como partir, p’ra onde partir
nem jornaleiros para fabris, França ou Brasil
(que tão longe se fez Lisboa)
ficarei, despojada de tudo o que partir me deu
presa de novo ao horizonte
o pobre braço nem a colher da terra aprendeu!
- e é tanta a terra sem nada a fazer
como outros buscarei comida p´ra boca
na arte daqueles que fogem da morte
Lótus Cleópatra Madalena – um nome assim terei
hortelã da ribeira e orégãos do monte
tão saborosos mesmo em mesa de rei
nunca matam a fome à ganância das bestas….
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12 de setembro de 2011
Esperaria
Esperaria por ti noite e dia, os anos todos se viesses...
de verdade és só coisa minha, inventada
meu desejo a minha fome
a pele da minha pele, da minha boca o beijo
não és quem à minha imagem se oferta
nem quem de mim se esconde ou persegue
nem quem virá... se alguém vier ainda
- outra procuram e batem à minha porta
eu que antes enganada me julgava
abria-me em feridas com quem purga
abro agora à noite no meu quarto a janela
e um anjo de luz pentei-me os cabelos
( os pássaros sabem se sonho ou dormo acordada )
mas entre o céu e o meu corpo não há mais nada
que esta mágoa de ser só, que sou eu também
e o infinito desejo por mim criado
minha pele corpo não quer que não seja eu
( rascunho, inédito, 2011)
de verdade és só coisa minha, inventada
meu desejo a minha fome
a pele da minha pele, da minha boca o beijo
não és quem à minha imagem se oferta
nem quem de mim se esconde ou persegue
nem quem virá... se alguém vier ainda
- outra procuram e batem à minha porta
eu que antes enganada me julgava
abria-me em feridas com quem purga
abro agora à noite no meu quarto a janela
e um anjo de luz pentei-me os cabelos
( os pássaros sabem se sonho ou dormo acordada )
mas entre o céu e o meu corpo não há mais nada
que esta mágoa de ser só, que sou eu também
e o infinito desejo por mim criado
minha pele corpo não quer que não seja eu
( rascunho, inédito, 2011)
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5 de setembro de 2011
Mulher Proibida
Ele conhece da mulher proibida a alma de cristal
a boca o desenho dos lábios
nos cabelos as ondas os sonhos os dramas
a tocha da fogueira que seu corpo conduz
e recusa-a ignora-a
não como o marinheiro que nega a sereia
e em seu sonho pueril acalenta e deseja
da sua forma dirá ser pedra fria de mármore
e talvez lhe invente carácter venenoso e ignóbil
de forma a controlar seus impulsos enquanto dorme
e não é o mandamento da cobiça que o impede!
deixa que seu olhar noutras o desejo incendeie
nem é incesto ou crime ou honra…
apenas seu mundo rodando no eixo que em si fez
… qual velho naufrago em porto seguro
olha agora o mar pela vidraça: só tempestade vê
soletra poemas de amor por mera saudade
não constrói barco novo, fica do passado refém
- nunca foi seguro o porto se não se avista mais além
e cego é o olhar daquele que seu cristal não vê
tonto ou fraco quem nega seu próprio ser
(inédito, rascunho, ou seja susceptível de ser alterado por mim)
2011
nos cabelos as ondas os sonhos os dramas
a tocha da fogueira que seu corpo conduz
e recusa-a ignora-a
não como o marinheiro que nega a sereia
e em seu sonho pueril acalenta e deseja
da sua forma dirá ser pedra fria de mármore
e talvez lhe invente carácter venenoso e ignóbil
de forma a controlar seus impulsos enquanto dorme
e não é o mandamento da cobiça que o impede!
deixa que seu olhar noutras o desejo incendeie
nem é incesto ou crime ou honra…
apenas seu mundo rodando no eixo que em si fez
… qual velho naufrago em porto seguro
olha agora o mar pela vidraça: só tempestade vê
soletra poemas de amor por mera saudade
não constrói barco novo, fica do passado refém
- nunca foi seguro o porto se não se avista mais além
e cego é o olhar daquele que seu cristal não vê
tonto ou fraco quem nega seu próprio ser
proibida chama à que não pertence a ninguém
(inédito, rascunho, ou seja susceptível de ser alterado por mim)
2011
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23 de agosto de 2011
O Leque
O Leque
Não tenho mais palavras para ti
queimei em meu fogo minhas amarras
e logo hasteas-te a vela, partiste... que te levem os elos todos do vento!
o que te empurra notícias de ti trará:
seja naufrágio ou regaço a que aportes
não haverá em mim palavras
a que eu antes fora não viverá
e sua última lágrima sempre foi do mar
assim fecha o leque sem o adeus da partida
dele guardarás a eterna brisa
eu o olhar do louco que o coloriu
mas há tantos barcos! tantos!...
a chegar a partir à ilha a que me prendo
ainda vendo colo alento extâse fantasia!
só palavras minhas iguais já não tenho...
( inédito, 2011,
rascunho ou seja a minha primeira escrita que pode vir a sofrer pequenas alterações... aqui ou em ulterior publicação)
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11 de agosto de 2011
O Retrato
Queria ser como ela! livre
cabelos de ondas vermelhas ao vento
a bênção do sorriso
e os olhos tristes de sedução
no corpo esquecido em regaço de rosas
as pernas cruzadas e o peito
erguendo-se no bambolear das ancas firmes
a dança do frufru das pulseiras
livre!
… e no retrato ainda serei eu?!
(inédito, 2011)
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11 de julho de 2011
Carta da ausência
Carta da ausência
Em tarde de Sol nasci da terra, já tu abrias os olhos de espanto.
Envolta no círculo de azul e branco ouvia o silêncio do nada enquanto te ensinavam a vida, o trabalho e a família, a sobrevivência a partilha e a conquista.
Crescemos do leite e os dias, e víamos e ouvíamos coisas que aos outros não interessavam mas que despertavam a nossa sede de ser.
E fomos. Perdemos e ganhámos. Percorremos, sem recuar mas ás vezes solitários e tímidos, planícies ondas montanhas até nossos trilhos se cruzarem.
Então reconhecemos nas palavras os nossos sonhos e no olhar nossos sentidos.
Houve encontro e partida, o fogo das entranhas da terra e as lágrimas dos oceanos, a matéria e alma, o rosto e o verso de que é feita cada coisa.
E como antes havíamos feito depois haveríamos de fazer, prosseguindo sarando chagas, arrastando a cruz, velando e erguendo-nos para tocar a estrela que nos conduz.
Havia memórias, marcas da alegria e da mágoa, mas nossas bocas no olhar se encontravam sempre que de nossos caminhos se avistavam…
Ainda tememos as próprias palavras, preferindo as de poetas que do impossível falam… Mas a beleza da alma é pouco, mesmo em harmonia, quando vazias as mãos se abraçam de noite ao próprio corpo… E nada nos é proibido, o medo e a culpa são artifícios e fantasias negando a essência de Deus.
Sei que meu sorriso renasceu e, em teu lábio de menino, faz tremer o teu.
Amor? nunca o disseste e nunca o direi.
Amor é pouco! dúbio e vulgar…
Para ti guardo a palavra nova em meu silêncio.
(inédito, sem data)
Em tarde de Sol nasci da terra, já tu abrias os olhos de espanto.
Envolta no círculo de azul e branco ouvia o silêncio do nada enquanto te ensinavam a vida, o trabalho e a família, a sobrevivência a partilha e a conquista.
Crescemos do leite e os dias, e víamos e ouvíamos coisas que aos outros não interessavam mas que despertavam a nossa sede de ser.
E fomos. Perdemos e ganhámos. Percorremos, sem recuar mas ás vezes solitários e tímidos, planícies ondas montanhas até nossos trilhos se cruzarem.
Então reconhecemos nas palavras os nossos sonhos e no olhar nossos sentidos.
Houve encontro e partida, o fogo das entranhas da terra e as lágrimas dos oceanos, a matéria e alma, o rosto e o verso de que é feita cada coisa.
E como antes havíamos feito depois haveríamos de fazer, prosseguindo sarando chagas, arrastando a cruz, velando e erguendo-nos para tocar a estrela que nos conduz.
Havia memórias, marcas da alegria e da mágoa, mas nossas bocas no olhar se encontravam sempre que de nossos caminhos se avistavam…
Ainda tememos as próprias palavras, preferindo as de poetas que do impossível falam… Mas a beleza da alma é pouco, mesmo em harmonia, quando vazias as mãos se abraçam de noite ao próprio corpo… E nada nos é proibido, o medo e a culpa são artifícios e fantasias negando a essência de Deus.
Sei que meu sorriso renasceu e, em teu lábio de menino, faz tremer o teu.
Amor? nunca o disseste e nunca o direi.
Amor é pouco! dúbio e vulgar…
Para ti guardo a palavra nova em meu silêncio.
(inédito, sem data)
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maria lascas,
Poesia
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