13 de março de 2013

Confraria Gastronómica As Saínhas

Criada a 8.de Março de 2008 a Confraria Gastronómica As Saínhas celebrou em Vago, no passado dia 9 de Março, 5 anos de empenho e dedicação na divulgação da gastronomia tradicional portuguesa.
Um produto típico e único conhecido de muitos, embora com outras denominações.
Desde criança que convivi com  a matança do porto.
Era um misto de convívio com familiares e conhecidos, em que me era distribuída a função muito nobre de servir a aguardente aos homens de manhã cedo e de práticas horríveis como o grunhir do animal ( em que me metia na cama a chorar e a concentrar energias para que o animal resistisse à morte, que coitado se algum efeito tinha era o de lhe prolongar o sofrimento!...). Ainda criança foi elevada na minha função a responsável pela fritura das vísceras, de que me gabava pois aprendera com a minha avó materna que era Mestra em tudo o que fazia e adicionara um pouco de criatividade pessoal... Só que não comia nada do que se cozinhava e comia naquele e nos dias seguintes proveniente do animal, com excepção do que chamavam rissol...
Eis que 40 anos passados sou Confrade do dito, apenas com outro nome!
A verdade é que quase não como carne, mas esta iguaria faz parte dos meus alimentos de eleição.
Comer mas não abusar por causa do colestrol.
Ou então façam como eu, que sou sempre intensa no que faço,: abuso sempre  mas como só de algumas vezes no ano.
Acompanhar de preferência com um copo de bom vinho tinto e um bocado de broa ( prefiro a de centeio, mas sabe fica bem também com uma padinha de Vale de Ilhavo ou uma fatia de pão alentejano, de Mafra, de Rio Maior...)
A utilização desta parte do porco advém da precariedade de meios de subsistência mas também da enorme capacidade humana, nomeadamente a dos mais pobres, de criar alimentos saborosos apesar da simplicidade dos ingredientes...
Convido quem não conhece a provar!
Pelos produtos portugueses, pela nossa singularidade!

4 de março de 2013

(sem título)

Hoje a chuva lava caminhos
( relembro trilhos outros por lavrar)
assim renovo meus sentidos, em lágrimas e sono
certo é o Sol em dia novo, certo é meu amar

de madrugada 
as pestanas abrem-se em gotinhas de orvalho
para a luz do novo olhar 

(inédito, hoje, agora)

21 de fevereiro de 2013

Amar demoradamente


Talvez seja cansaço
vivo demais em cada instante
não sei inalar devagar sentir devagar
tudo em mim é urgente intenso breve
ilusão/queda vulcão/cinza

e tu juntas ramos da oliveira
sopras o fôlego
acendas a fogueira
teces véus na noite
crendo que a manhã clareia...

desespero anseio... refreio-me
se o meu caminho cruza o teu
vais ensinar-me a amar demoradamente
  (inédito, Fevereiro de 2013)

29 de janeiro de 2013

Teimosia

Tantas palavras te digo
incansável te procurei
e no silêncio da muralha te ocultas
às vezes voo
poiso no dorso do teu camelo
canto para ti, o rouxinol da manhã

 e só o Sol deixas entrar em ti
queres-te pleno independente sábio
na esteira da noite te acolhes
sem Lua sem nada
e a mulher em mim teima
o impossível na tua descrença

vergando-nos o tempo
gelados dilacerados famintos

(inédito)

16 de janeiro de 2013

Dorme, meu amigo


Podia ler-te um poema de Al' mutamide... esta noite
reler-te Neruda, uma página sublime de amor
contar-te palavras minhas, sonhadas
não não quero enganar-te
esta terra é pobre e nada assim floresce...

apenas a força de dizer sim ao verbo acontecer
só essa graça te levo

dorme, meu amigo, descansa...
quem sabe se amanhã voas
desamarrando as tuas próprias crenças
querendo como eu à autenticidade do agora

(inédito, Janeiro de 2013)

4 de janeiro de 2013

Motel

Motel
lençóis à pressa, esterilizados
sem monograma flor em linho bordada

os carros lembram o marulhar das águas
digo-te é o mar 
e bravo nas ondas de meu corpo navegas

8 de dezembro de 2012

8 de Dezembro, Florbela e Neruda


Hoje dia 8 de Dezembro, dia do nascimento e morte de Florbela Espanca
revisitei o seu túmulo em Vila Viçosa e deixou um excerto de outro poeta maior, Pablo Neruda in Versos do Capitão:
"
... quem sou, e porque ninguém me conheceu como uma,

como uma só das tuas mãos,

porque ninguém

soube como, nem quando

meu coração esteve ardendo:

somente

teus grandes olhos pardos o souberam,

a tua boca larga,

a tua pele, os teus peitos,

o teu ventre, as tuas entranhas

e a tua alma, que eu despertei

para que ficasse

a cantar até ao fim da vida.

 ....
Meu amor, espero-te." 


3 de dezembro de 2012

NÂO VAMOS PERMITIR QUE NOS ROUBEM TAMBÉM O NATAL - Comprem este ou outro livro, escrevam uma frase para alguém, mas por favor acalentem em vós esta chama da reunião familiar.

NÃO VAMOS PERMITIR QUE NOS ROUBEM TAMBÉM O NATAL - Comprem este ou outro livro, escrevam uma frase para alguém, mas por favor acalentem em vós esta chama da reunião familiar.



Envio o livro pelo correio por 2.30 (inclui as despesas de envio pelo correio).
.
 Comprem este ou outro livro, escrevam uma frase para alguém, mas por favor acalentem em vós esta chama da reunião familiar.

2 de dezembro de 2012

Vida, folha branca


A vida é a folha branca
ilumina-me o teu olhar sorriso, o rosto
o coração palpita, o corpo sente sente

as gaivotas ficaram negras esta noite
e voam voam: o Sol voltará amanhã!
eu como serei sem ouvir a tua voz?!

não são minhas as palavras
são tuas as que escrevem na areia

inédito, 2007/2012
(não autorizo a publicação, por susceptível de aperfeiçoamento) 

21 de novembro de 2012

Agrilhoados


Não há maior inimigo que aquela que advém da precaridade do trabalho e do mísero vencimento, que elimina a capacidade de reivindicação e de luta pelos seus próprios direitos e a capacidade de sonhar... Ainda se dizem livres homens e mulheres do meu país, mas já não são! Vejo escravos: agrilhoados às dívidas, à sobrevivência e conforto dos seus, em que as emoções belas e puras cedem perante a racionalidade... São as novas formas de opressão cujos frutos farão de nós portugueses um povo ainda mais acomodado, atrasado e triste. Não sei quando nos libertaremos deste trágico modo de existir, nosso destino libertará nosso fado e a plenitude do viver saberemos usufruir... E tanto politica, como intimamente, engana-mo-nos em quem surge inesperadamente, qual Desejado, que aparenta trazer o El Dorado resolvendo nossas dores e problemas...
Queremos acreditar e acreditamos. Até que o nevoeiro  se desvanece e seu rosto real vemos!... Não demos nenhum passo em frente, mas o nosso tempo, nossa vida, fomos perdendo ...

13 de novembro de 2012

(sem título)

Olha as estrelas brilhantes
tão longínquas esta noite… meu amor
espera, detém-te um pouco
no perfume que adoça a pele de teu corpo
deixa que escorra
o beijo em sangue que te dei

depois se queres segue caminho
não sei se é céu se é mar...
a ilusão desse azul negro que clareia

temo que das estrelas te percas
tão longínquas como eu... meu amor
e o brilho de teus cabelos louros
em minha concha mais recôndita guardei
  (inédito, 2012)

12 de novembro de 2012

Mágoa

Não tingirei minha mágoa com fel
cairá gota a gota
durante a noite em segredo
e cristalina
alimentando a terra em meu jardim

na primavera nascem novas flores

( inédito- 2012)


Rosas do Deserto


Rosas do Deserto do meu livro"o meu Amor é Árabe" , pág. 31, de 2002


Rosas do Deserto
Flores de Pedra!

Jardins de Incenso

Floriram
Fruto do nosso deslumbramento

O video que os alemães não querem ver


7 de novembro de 2012

Esta noite

Na noite bordarias a cama de flores
ao amares-me continuarias a amar-me
e não sentiria este imensurável silêncio
onde todas as palavras me adormecem

jorraria a luz sábia de todas as coisas
alimentada pela certeza do amor
... mas deixei que o tempo te levasse

A dor entregar-me-ia plena à Poesia
nada em mim é pequeno!... tu sabes
a concreta existência não me prende
o impossível levanta meu eterno voo
e impossivel agora apenas o teu amor

6 de novembro de 2012

Sprint

Não basta provar a boca, bebê-la fresca
nem correr o corpo só visando a meta
fazer o sprint, mais rápido que o outro

não basta erguer bandeira espetada a haste
medalhares-te, como em baliza para chutar

brilhantes serão os olhos ao descansar 
o cântico dos óasis, não guerra e vitória
e na verdade tudo será apenas conquista
querendo ser conquistador e conquistado

(inédito, 2012)
e como digo sempre
sujeito a alterações até que o publique em papel

5 de novembro de 2012

31 de outubro de 2012

Mortiça

Mortiça com a terra adormeço
cansada gasta seca gretada...
a noite é luz, clareando ondas e celeste azul

de manhã
florinhas de água cobrem a terra de branco
meus olhos noivam
minha alma é assim! como a terra morre
e renasce outra vez