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3 de março de 2010
A vida de Leão na cidade do Porto
Não é fácil ser Leão na cidade do Dragão ( e eu que o diga: sou Leão, mas só no meu ascendente astrológico...), até os universitários os humilham!
3 de junho de 2009
PORTO SENTIDO - 2
Seja dos saltos altos do nariz empinado da cabeça na lua do destino da inexplicável atracção pela mãe-terra.... o que é certo é que em média, entre escadas do tribunal os degraus dos passeios os buracos na calçada, devo cair uma vez de quinze em quinze dias.
Vale-me a sorte de nunca ter caído com sérias consequências, sendo normalmente os joelhos que sofrem. Esta semana cumpri a estatística logo na segunda-feira de manhã, em plena Rua de Santa Catarina no Porto, espalhando à minha volta daqueles envelopes grandes de exames médicos que nesse dia precisava levar comigo. Enquanto caía e pensava que me doía o joelho e decidia levantar-se terá decorrido um segundo, mas há segundos de dão para pensar em muitas coisas. Enquanto eu pensava, "caramba ninguém me ajuda a apanhar os papéis, a levantar etc" eis que vem de longe surge uma velha senhora de braços abertos, empunhando a mala de mão, bradando " tanto cavalheiro e ninguém ajuda a senhora".
Com uma dúzia de anos a menos, eu no meu silêncio do sul pensara de modo mais generalista - homens mulheres jovens... - vendo em todos a mesma falta de humanismo.
Com a ajuda da senhora, que continuava a manifestar o seu desagrado pelo comportamento masculino actual, eu preferia pensar que se eu não estivesse de calças de ganga mas com uma roupinha mais vistosa "algum cavalheiro" teria reparado em mim e me prestado a sua sedutora ajuda. Pois que há lugares e dias em que eles existem, mas a sua actuação carece de condições adequadas para a performance...
Dirão os homens: as mulheres não sabem o que querem! se somos cavalheiros já nos estamos a meter, se usamos da igualdade de sexos somos toscos uma espécie a a bater, se nem sim nem nim somos desinteressantes, se aparece um totó de BMW e salamaleques todas se derretem... Há homens que têm o maior orgulho a sua maior vaidade no seu carro ( como daí depende a auto-estima!) mas não não entendem como é as mulheres na avaliação do outro incluam coisas materiais e ilusórias como o carro que tem... Sim, algumas de nós gostamos de carros! olhamos duas vezes para um descapotável vermelho ( se for a minha marca preferida até olho mais!) - e vezes há que nem vemos quem está ao volante - e sim um desconhecido num Renault a cair ou num Mercedes desportivo último modelo não é, aos nossos olhos, o mesmo homem!... E daí, seremos impuras por isso? são privilégios, características do homem?
A questão da igualdade dos sexos e do que o homem espera ser o comportamento duma mulher e a mulher dum homem ainda está bastante confuso no nosso pensamento.
Se o pensamento é veloz também está marcado por vivências precoces e imbuído de aprendizagens centenárias, cuja alteração carecerá da passagem de várias gerações... Mas veja-se que o meu pensamento já não foi igual ao da senhora que como boa portuense ( uma mistura do conservadorismo e educação inglesa com a força granítica, rude e directa, da mulher do norte) falou alto e sem medo, pugnando pelo comportamento do homem ideal nos valores da sua geração.
Eu mais calada ( eivada do igualitarismo dos sexos ) fiquei-me, pela falta da humanidade de todos...
A geração depois da minha, provavelmente, pensaria que não era caso para intervenção de outrem, seguindo o caminho que é seu, só se detendo dele em caso de alerta vermelho!
A cada geração um pensamento diferente, que para a mesma é o que faz mais sentido...
Ignorantes aqueles que julgam que só o pensar da sua geração é que está certo, que os mais velhos estão ultrapassados e os jovens ainda não sabem o que querem... De certo que muita da realidade lhes está a passar ao lado... Nesta forma de pensar radicam muitos dos conflitos e incompreensões entre pais e filhos, entre professores e alunos...
Vale-me a sorte de nunca ter caído com sérias consequências, sendo normalmente os joelhos que sofrem. Esta semana cumpri a estatística logo na segunda-feira de manhã, em plena Rua de Santa Catarina no Porto, espalhando à minha volta daqueles envelopes grandes de exames médicos que nesse dia precisava levar comigo. Enquanto caía e pensava que me doía o joelho e decidia levantar-se terá decorrido um segundo, mas há segundos de dão para pensar em muitas coisas. Enquanto eu pensava, "caramba ninguém me ajuda a apanhar os papéis, a levantar etc" eis que vem de longe surge uma velha senhora de braços abertos, empunhando a mala de mão, bradando " tanto cavalheiro e ninguém ajuda a senhora".
Com uma dúzia de anos a menos, eu no meu silêncio do sul pensara de modo mais generalista - homens mulheres jovens... - vendo em todos a mesma falta de humanismo.
Com a ajuda da senhora, que continuava a manifestar o seu desagrado pelo comportamento masculino actual, eu preferia pensar que se eu não estivesse de calças de ganga mas com uma roupinha mais vistosa "algum cavalheiro" teria reparado em mim e me prestado a sua sedutora ajuda. Pois que há lugares e dias em que eles existem, mas a sua actuação carece de condições adequadas para a performance...
Dirão os homens: as mulheres não sabem o que querem! se somos cavalheiros já nos estamos a meter, se usamos da igualdade de sexos somos toscos uma espécie a a bater, se nem sim nem nim somos desinteressantes, se aparece um totó de BMW e salamaleques todas se derretem... Há homens que têm o maior orgulho a sua maior vaidade no seu carro ( como daí depende a auto-estima!) mas não não entendem como é as mulheres na avaliação do outro incluam coisas materiais e ilusórias como o carro que tem... Sim, algumas de nós gostamos de carros! olhamos duas vezes para um descapotável vermelho ( se for a minha marca preferida até olho mais!) - e vezes há que nem vemos quem está ao volante - e sim um desconhecido num Renault a cair ou num Mercedes desportivo último modelo não é, aos nossos olhos, o mesmo homem!... E daí, seremos impuras por isso? são privilégios, características do homem?
A questão da igualdade dos sexos e do que o homem espera ser o comportamento duma mulher e a mulher dum homem ainda está bastante confuso no nosso pensamento.
Se o pensamento é veloz também está marcado por vivências precoces e imbuído de aprendizagens centenárias, cuja alteração carecerá da passagem de várias gerações... Mas veja-se que o meu pensamento já não foi igual ao da senhora que como boa portuense ( uma mistura do conservadorismo e educação inglesa com a força granítica, rude e directa, da mulher do norte) falou alto e sem medo, pugnando pelo comportamento do homem ideal nos valores da sua geração.
Eu mais calada ( eivada do igualitarismo dos sexos ) fiquei-me, pela falta da humanidade de todos...
A geração depois da minha, provavelmente, pensaria que não era caso para intervenção de outrem, seguindo o caminho que é seu, só se detendo dele em caso de alerta vermelho!
A cada geração um pensamento diferente, que para a mesma é o que faz mais sentido...
Ignorantes aqueles que julgam que só o pensar da sua geração é que está certo, que os mais velhos estão ultrapassados e os jovens ainda não sabem o que querem... De certo que muita da realidade lhes está a passar ao lado... Nesta forma de pensar radicam muitos dos conflitos e incompreensões entre pais e filhos, entre professores e alunos...
24 de maio de 2009
18 de setembro de 2008
Estação de S. Bento e o país real
Não gosto de fazer coro pela nossa inferioridade ou superioridade enquanto povo ou país.
Somos o que somos, temos o tamanho que temos, somos únicos aos mesmo tempo que somos como os outros com defeitos e qualidades... Mas às vezes fico irritada quando penso que podíamos ser mais cultos mais activos mais tolerantes mais atentos...
Por mais de uma vez, dei comigo a dizer a outras pessoas que reparassem melhor na Estação de S. Bento, por a considerar muito bonita e lamentava ninguém se importasse com pequenas obras de restauro...
Não terá a grandeza das Estações de países maiores, mas para mim esta estação de caminho de ferro e a do Oriente, cada uma de sua época e estilo, são dignas de uma visita demorada que sorva cada linha cada traço... que estejamos nelas e não apenas que nos limitemos a usá-las em passagem.
Pois bem, os painés de azulejos ilustrativos de momentos da nossa história lá continuam dignos de visita, bem como a sua armadura férrea. Mas parece que a transformação está em curso, pode é não ser a que desejava.
Assim, fecharam-se duas das grndes portas que dão acesso às linhas, redusindo-se a entrada e saída dos passageiros à porta central onde se instalou a fiscalização para entrada e saída, só com título de transporte. A sala de espera foi encerrada. Não há bancos para sentar enquanto se espera. O quadro electrónico com indicação das linhas fica no átrio, e a indicação da linha surge muitas vezes apenas uns minutos antes da partida... Ou seja, quando a indicação da linha surge é uma correria para a metade da porta única, com os respectivos atropelos ralhos palavrões... As casas de banho são ofensivas e as filas para tirar bilhete longas...
O Utente é zero para a CP.
Bem não falaria neste assunto no blog se ultimamente não tivesse assistido já por duas vezes ao princípio de uma revolta popular em S. Bento!
É que este povo não se cale e reage quando sente que lá em Lisboa manda gente cega ou que nem se dá ao trabalho de ver como as coisas são de verdade.
O título de Invicta assenta bem nesta cidade!
Nestas coisas sinto-me uma mulher do Sul pelo modo de pensar a calma do agir...
Mas penso que até para a CP há cidadãos de 1ª (os de Lisboa e arredores) e cidadãos de 2ª.
E tal como eles não me agrada ser tratada diariamente como utente de 2ª.
28 de julho de 2008
Jardim Botânico do Porto - encontro com a mágica infância de Sophia







Diz-se que já pouco resta da quinta onde Sophia cresceu.
Da quinta nos arrabaldes da Cidade do Porto resta um enclave de flora no meio da cidade nova, em vez do cântico dos pássaros o ruído dos carros, em vez da fronteira do mar a Ponte da Arrábida, em vez da mão esmerada dos jardineiros o continuado abandono, em vez dos vinte hectares os quatro que restam... O crecimento do espaço urbano faz-se em regra à custa de patrimónios irrecuperáveis.
Este terá sido um dos casos. Resta esta pequena amostra, sustentada sabe-se lá com que dificuldade... Na verdade há espaços abandonados e outros sem rega automática em que as plantas denotam sede. Ainda assim é imperdível. A entrada é gratuita, todos os dias das 10h às 19 horas.
As árvores tocam o céu. Quase que temos que colocar a cabeça nos pés para visualizarmos o crescimento dos troncos. As cameleiras abundam, formando grandiosas sedes. Os jardins de rosas e os lagos com nenufáres convidam aos sentimentos românticos... Etiquetas recordam-nos momentos literários de Sophia.
E se nos deixarmos embalar pela magia das árvores, acabamos por nos cruzar com ela em algum momento, ainda pequena, com vestidos de princesa, em alegres brincadeiras nos labirintos das sedes ou em diálogos eruditos com o rapaz de bronze...
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