21 de fevereiro de 2013

Amar demoradamente


Talvez seja cansaço
vivo demais em cada instante
não sei inalar devagar sentir devagar
tudo em mim é urgente intenso breve
ilusão/queda vulcão/cinza

e tu juntas ramos da oliveira
sopras o fôlego
acendas a fogueira
teces véus na noite
crendo que a manhã clareia...

desespero anseio... refreio-me
se o meu caminho cruza o teu
vais ensinar-me a amar demoradamente
  (inédito, Fevereiro de 2013)

4 comentários:

Anónimo disse...

Bonito , mas revela total insatisfação do ponto de vista sexual e emocional, bastante normal em mulheres que constroem universos fundamentados em círculos de conforto material. Denota-se no que escreve, que a sua busca dura há muito.
O universo de Amor dá uma satisfação a todos os níveis.É tão simples vivê-lo , desde que não se criem fantasias múltiplas e gostemos de nós de uma forma natural. Começa no nosso interior a capacidade de dar verdadeiramente, desinteressadamente. O altruísmo é um dos caminhos para a viagem de libertação da energia contida em si.

maria lascas disse...

Refere-se mais à Autora que ao poema, supondo conhecê-la pela leitura que faz do que escreve. Na verdade cada um fará sempre a sua singular leitura... E quanto à Autora, quisera eu que fosse tão simples como a descreve!

Anónimo disse...

Grande resposta, Maria José! A minha seria diferente e bem menos...altruísta.

Manuela

YellowMcGregor disse...

Da vida e do amor, a vertigem cruza-se com a quietude oriental: não se completam os opostos? Porque não poderá ser ensinada a outra parte a amar e viver com a intensidade de um amanhã que poderá não existir?

Belíssimo poema, como sempre.