6 de novembro de 2017

Lê-me

O Sol não parte do Monte...
materna vira-lhe costas para dormir
meu corpo quer sentir, lê-me!
ardo! 
tange cisterna fecunda
raiando mármore reinício seremos

19 de outubro de 2017

Meu Amor

Meu grande amor quebrou-se...
tantas partes juntas, campo de papoilas
belo efémero ainda...
transcendência a da flor única

13 de fevereiro de 2017

2 de novembro de 2015

Amor, Querida

Em Galego (tradução do Google, poderá não ser correta..) Amor Querida son palabras moi vellas e gastos na túa boca pero palabras novas e vivas na miña Amor Querida, dixeches mesmo sen o sentires o dixeches tanto que lle perdiches o sentido e só ficaches coa sonoridade oca nos meus oídos abriron a caixa de música onde o corpo danza en harmonía ea boneca antiquísima canta de alegría Dirás que son as mesmas palabras as túas e as miñas... As miñas quentan nas noites frías e son brisa fresca no verán delas nacen as flores da primavera soltan -se os paxaros e as pregarias cando se parten os buques nas tormentas son os abrazos puros paz deus e a liberdade As túas veñen morrendo ancoradas no pasado con medos e cansaços que che fan baleiro Mira que palabras as vellas avós reciben no colo os netos e como os nenos sorrín aínda antes de coñecer sons sentidos grafia non son vellas palabras son sentidas , vivas e puras como as miñas Julho de 2015

4 de março de 2015


Agora sou entre céu e mar
da terra ninguém virá por mim
não fecho a minha concha deixo fluir...

...

A mesa ainda está posta teu corpo marcado na cama em mim réstia de esperança não te demore o silêncio o amor vai-se desprendendo da espera como no jardim a hera crescendo no desejo de usurpar o perfume da rosa

6 de fevereiro de 2015

Poema...

O corpo agrada-me não as palavras nem o beijo apenas a carne na minha não sabe a música nem o poema não quero que fique apenas a passagem na noite fria na aurora abro-me ao mar virá sentir-me

28 de setembro de 2014

Só mergulho meus olhos no mar calmo jade Claridade! espelha alegre doce sentir criança na vida que começo Vagueira Setembro 2014

8 de setembro de 2014

DO AMOR

Do Amor Prende-me ainda um fio de seda... não espero a palavra certa que frágil laço reforce farei que em luz me desprenda incentivando à conquista partirei se cego for ao mais puro diamante deslumbrando na fria névoa poeta pastor navegante...

Sem Título

Não desejas mais que ter ter-me presa na djellaba que te cobre sou a areia dos caminhos do tempo miragem da mais fresca nascente

7 de maio de 2014

https://www.facebook.com/#!/MariaJoseLascasFernandes

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21 de dezembro de 2013

Brilho

Atrai-te meu brilho estrelar chegas sacias-te e ficarás a amar-me um dia quando partir sem nunca mergulhares na profundeza dos meus olhos na demanda da tormenta apenas a névoa saudosa do que podia ser ficará contigo

6 de novembro de 2013

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - Canção com Lágrimas (+lista de reprodução)

http://www.youtube.com/v/DazJYOtt5Y8?version=3&list=PL165F8DD5EE6BE6E6&showinfo=1&autohide=1&autoplay=1&attribution_tag=o01NtWrB7HAKReBkuAe3yw&feature=share

6 de agosto de 2013

Mistério II

Em inexpugnável torre cresce o destino se sou o caminho eis a coroa de glória dos guerreiros o regaço de mãe e seio da nascente onde acolhido saborearás e nada te prende há uma taça guardando o mistério que ainda não compreendes

3 de julho de 2013

Procuro

Florbela Espanca Pablo Neruda Al Mutamid escreveram a minha vida antes de acontecer Procuro, sempre procurei - não o útero o olhar o beijo o seio os pássaros as flores o menino-irmão a cal o azul, do vento do mar o Sol a fonte a terra o horizonte o bafo do cão - houve sempre um cão o perfume da laranjeira o cavaleiro andante a alma-gémea, estrela no céu… - todo o sentir o encontro, reino adoração eterno e infinito, a plenitude tudo foi meu! Procuro - não a obra o nome a memória a riqueza a beleza, o que nunca terei nem macho nem homem nem Deus a alma outro mistério, a essência eu Procuro, insaciável onde meu futuro se escreveu. (não para o mudar - falsear palavras minhas dos Poetas: nunca!) Quero dor e espasmo, vir e devir transmutando-me que os poemas maiores em mim se cumpram (inédito, 2013)

Nothingandall: Amo-te - Maria José Lascas Fernandes

Nothingandall: Amo-te - Maria José Lascas Fernandes

24 de junho de 2013

Estou Cansada

Estou cansada não é da idade, essa mede o tempo não a vida o esforço o querer cansada de correr, ser esta aquela a outra e de me procurar cansada de agradar de aceitar de negar e de me perder não quero regaço colo o abraço apenas o descanso do lençol alvo da manhã a brisa fresca a meus pés o invisível guardador de sonhos

2 de junho de 2013

Azinheira

Era papoila viçosa selvagem delicada (ninguém se detém em flor pequena) e foi rosa, botão desabrochando pétalas enebriando corpos em seu perfume


agora azinheira de envergonhada flor de mortiça copa em agachado porte na terra enraizando sempre…


quando chegar o último inverno arderá plena celebrando sua essênciademoradamente

 inédito, Maio 2013)

22 de maio de 2013

Mértola II

Mértola, II


No mais recôndito pátio sente a flor de laranjeira
o jasmim


em terra sagrada sê Digno! 
mouro cristão judeu, nenhum... 

na Medina o último arauto poeta-andaluz 
cativando em versos olhos famintos 
afogueando seus corpos em véus envoltos 
...
e em ninguém confies:
o amparo hoje é a muralha amanhã!

sê o novo Tuareg!
resgata azul ao céu e à cal a sombra
de um beijo esquecido
... 
o cavalo branco espera eternamente

Passinhas desenhou-lhe o mágico labirinto


( inédito, Maio

2013, sujeito a alterações...)

8 de maio de 2013

Vem

Vem
pegar-me ao colo, embalar velar meu sono 
ser guerreiro amo servo
no vazio desbravar mundo novo 

se não estiveres preparado
não for o lugar, não for o momento
o vento devolve meu chamamento

só navio será em meu mar oculto

29 de abril de 2013

.....

Passaram alguns meses hoje
e vivi mil anos
- tanto que acontecera e não sabia

cansada tenho os olhos mais secos
as rugas de seis meses
mas cada dia tem sabor novo

não me prende o braço na cintura
o segredo e a razão alheia
sou nova, bela livre verdadeira

( 29.04.2013)

27 de abril de 2013

sem título ainda----

Apetece-me falar-te ainda
das coisas que recusas
são pássaros voam e nem percebes

- Aprisionas-me no silêncio

mas se ao menos te debruçasses
da varanda para rua 
contemplando o fluir do acontece 


(24.04.2013)

26 de abril de 2013

Apenas quero desenrolar-te o lenço, devagar

Apenas quero desenrolar-te o lenço, devagar


alisando na testa as rugas cavadas pela descrença

afastando os olhos comprimidos para o centro



escalar o nariz e nos lábios oprimidos descansar

detendo-me demoradamente

desarmando o exército invisível que comandas

entrando em teu ser libertando-te/libertando-me



e nem chegarei ao queixo

à covinha que como cisterna fresca me seduz...

11 de abril de 2013

Os Azeitonas - Anda Comigo ver os Aviões (Showcase) - MYWAY

Apetece-me ouvir... as coisas raras da vida...

7 de abril de 2013

Perdão


Disseste, num impulso, TUDO!
(merecesse ou não...)

colhi a mágoa em meu ser
brotando lágrimas sem razão
(ainda muito imperfeita sou)
... depois respirei respirei respirei
e sem de nada te arrependeres
dou-te o meu perdão

será inconsequente, bem sei
nada do que escrevo lês

2 de abril de 2013

...

Junta os pulsos e abre as mãos
procure cada dedo seu semelhante e toquem-se docemente... 
- nunca unindo as mãos para que livres se renovem
assim éramos nós

aquando do vento forte cada dedo perdeu o par
sem despedida
as mãos sempre abertos e os seus dedos voaram

Ala dos Namorados com os Shout!- Caçador de Sois

24 de março de 2013

Fada da Escrita

Hoje fui uma das 30 Fadas nomeadas pela Casa de Chá Perlimpimpim da Praia da Vagueira.
Promovo a Perlimpimpim desde o início porque a considero uma iniciativa de grande coragem e amor pela arte e pela cultura e que dá vida, cor, lazer e fraternidade ao concelho de Vagos e limítrofes.
Para a honra que sinto e que já agradeci, sei que a minha tarefa não será das mais fáceis,,, sou a Fada da Escrita.
Que consiga ter engenho e arte para este desafio que aceitei hoje.
Que as palavras se soltem, que as levem o vento o mar as areias, nomeando a Praia da Vagueira por lugares desconhecidos. 

22 de março de 2013

Semanas da Leitura 2013

Um filme muito bonito, ilustrativo do que se pode fazer - de real e concreto - com  dedicação trabalho amor arte e palavras... Trabalhando o futuro agora, dando de nós!  O meu obrigada pelo filme e pela oportunidade de ter navegado neste sonho... (sempre ao dispor).

20 de março de 2013

A andorinha da primavera - Madredeus

Primavera - lembrei-me de ti Bela


Primavera.
Hoje lembrei-me de ti Bela.
Podiam ser os campos floridos, o Sol, quem queria que viesse à tardinha, este queimar que tanto é fogo como me gela… podia ser Évora e Diana, os estudantes de batina as freiras, o que haverá que de ti não lembre?!
Mas foi apenas um livro grande em papel rico com o teu nome; uma senhora castelhana escreveu sobre ti, aglutinou poemas e assim fez-se doutorada.

Doutora com sentido estético, pessoa de berço, educação clássica, riqueza: a edição é luxuosa, desenhos, letras de cor…

Terias gostado dum livro assim, merecias livros assim.
Fiquei zangada com o Mundo por ti e teu sentir, em que por mais que teime ainda vejo o meu…

Aquele luxo, aquelas páginas todas eram uma ofensa, quando o ouro o néctar eras/és tu o teu sentir o teu amar o teu fruir... 
Depois pensei sendo a senhora doutorada e tão esmerada deixai-a viver qualquer coisinha…
De ti, a ti, basta o sentir (os poemas) tudo o mais é(seria) inócuo e pouco…

19 de março de 2013

Sinal

Apetece-me escrever... não sei se há amanhã
mas mesmo se houver é de hoje este respirar
o trabalho feito, o cansaço, o Sol, o anoitecer
nada volta a ser igual

Em cada manhã inicio-me
e não sei se ainda irei esperar o teu sinal.
se o fizeres como hoje o esperava 
pode já ser fora do tempo que te dou... 

e assim à cautela escrevo hoje
depois não digas que o Universo não te avisou.

14 de março de 2013

Trazei uma concha do mar... - Maria Jos� Lascas Fernandes

Trazei uma concha do mar... - Maria Jos� Lascas Fernandes

Hoje, na Biblioteca Municipal Almeida Faria em Montemor-o-Novo, li também este meu poema numa conversa sobre o Mar com alunos do 1º ano.
Penso que saí eu mais enriquecida do que eles, pois eu já pensei várias vezes depois disso em algumas das respostas e comentários deles...
O Mar veio a revelar-se interiormente muito importante para mim, mas já nos deu tanto a nós portugueses e pode-nos dar tanto ainda se o soubermos proteger.
Convido-vos a olhar para o mar não apenas como praia ou lugar de relaxamento, aprendam a ser gratos ao mar e dignificá-lo e, para isso, sejam um exemplo para os mais novos- combater a poluição, evitar a extinção das espécies não são meras obrigações alheias....     

13 de março de 2013

Confraria Gastronómica As Saínhas

Criada a 8.de Março de 2008 a Confraria Gastronómica As Saínhas celebrou em Vago, no passado dia 9 de Março, 5 anos de empenho e dedicação na divulgação da gastronomia tradicional portuguesa.
Um produto típico e único conhecido de muitos, embora com outras denominações.
Desde criança que convivi com  a matança do porto.
Era um misto de convívio com familiares e conhecidos, em que me era distribuída a função muito nobre de servir a aguardente aos homens de manhã cedo e de práticas horríveis como o grunhir do animal ( em que me metia na cama a chorar e a concentrar energias para que o animal resistisse à morte, que coitado se algum efeito tinha era o de lhe prolongar o sofrimento!...). Ainda criança foi elevada na minha função a responsável pela fritura das vísceras, de que me gabava pois aprendera com a minha avó materna que era Mestra em tudo o que fazia e adicionara um pouco de criatividade pessoal... Só que não comia nada do que se cozinhava e comia naquele e nos dias seguintes proveniente do animal, com excepção do que chamavam rissol...
Eis que 40 anos passados sou Confrade do dito, apenas com outro nome!
A verdade é que quase não como carne, mas esta iguaria faz parte dos meus alimentos de eleição.
Comer mas não abusar por causa do colestrol.
Ou então façam como eu, que sou sempre intensa no que faço,: abuso sempre  mas como só de algumas vezes no ano.
Acompanhar de preferência com um copo de bom vinho tinto e um bocado de broa ( prefiro a de centeio, mas sabe fica bem também com uma padinha de Vale de Ilhavo ou uma fatia de pão alentejano, de Mafra, de Rio Maior...)
A utilização desta parte do porco advém da precariedade de meios de subsistência mas também da enorme capacidade humana, nomeadamente a dos mais pobres, de criar alimentos saborosos apesar da simplicidade dos ingredientes...
Convido quem não conhece a provar!
Pelos produtos portugueses, pela nossa singularidade!

4 de março de 2013

(sem título)

Hoje a chuva lava caminhos
( relembro trilhos outros por lavrar)
assim renovo meus sentidos, em lágrimas e sono
certo é o Sol em dia novo, certo é meu amar

de madrugada 
as pestanas abrem-se em gotinhas de orvalho
para a luz do novo olhar 

(inédito, hoje, agora)

21 de fevereiro de 2013

Amar demoradamente


Talvez seja cansaço
vivo demais em cada instante
não sei inalar devagar sentir devagar
tudo em mim é urgente intenso breve
ilusão/queda vulcão/cinza

e tu juntas ramos da oliveira
sopras o fôlego
acendas a fogueira
teces véus na noite
crendo que a manhã clareia...

desespero anseio... refreio-me
se o meu caminho cruza o teu
vais ensinar-me a amar demoradamente
  (inédito, Fevereiro de 2013)

29 de janeiro de 2013

Teimosia

Tantas palavras te digo
incansável te procurei
e no silêncio da muralha te ocultas
às vezes voo
poiso no dorso do teu camelo
canto para ti, o rouxinol da manhã

 e só o Sol deixas entrar em ti
queres-te pleno independente sábio
na esteira da noite te acolhes
sem Lua sem nada
e a mulher em mim teima
o impossível na tua descrença

vergando-nos o tempo
gelados dilacerados famintos

(inédito)

16 de janeiro de 2013

Dorme, meu amigo


Podia ler-te um poema de Al' mutamide... esta noite
reler-te Neruda, uma página sublime de amor
contar-te palavras minhas, sonhadas
não não quero enganar-te
esta terra é pobre e nada assim floresce...

apenas a força de dizer sim ao verbo acontecer
só essa graça te levo

dorme, meu amigo, descansa...
quem sabe se amanhã voas
desamarrando as tuas próprias crenças
querendo como eu à autenticidade do agora

(inédito, Janeiro de 2013)

4 de janeiro de 2013

Motel

Motel
lençóis à pressa, esterilizados
sem monograma flor em linho bordada

os carros lembram o marulhar das águas
digo-te é o mar 
e bravo nas ondas de meu corpo navegas

8 de dezembro de 2012

8 de Dezembro, Florbela e Neruda


Hoje dia 8 de Dezembro, dia do nascimento e morte de Florbela Espanca
revisitei o seu túmulo em Vila Viçosa e deixou um excerto de outro poeta maior, Pablo Neruda in Versos do Capitão:
"
... quem sou, e porque ninguém me conheceu como uma,

como uma só das tuas mãos,

porque ninguém

soube como, nem quando

meu coração esteve ardendo:

somente

teus grandes olhos pardos o souberam,

a tua boca larga,

a tua pele, os teus peitos,

o teu ventre, as tuas entranhas

e a tua alma, que eu despertei

para que ficasse

a cantar até ao fim da vida.

 ....
Meu amor, espero-te." 


3 de dezembro de 2012

NÂO VAMOS PERMITIR QUE NOS ROUBEM TAMBÉM O NATAL - Comprem este ou outro livro, escrevam uma frase para alguém, mas por favor acalentem em vós esta chama da reunião familiar.

NÃO VAMOS PERMITIR QUE NOS ROUBEM TAMBÉM O NATAL - Comprem este ou outro livro, escrevam uma frase para alguém, mas por favor acalentem em vós esta chama da reunião familiar.



Envio o livro pelo correio por 2.30 (inclui as despesas de envio pelo correio).
.
 Comprem este ou outro livro, escrevam uma frase para alguém, mas por favor acalentem em vós esta chama da reunião familiar.

2 de dezembro de 2012

Vida, folha branca


A vida é a folha branca
ilumina-me o teu olhar sorriso, o rosto
o coração palpita, o corpo sente sente

as gaivotas ficaram negras esta noite
e voam voam: o Sol voltará amanhã!
eu como serei sem ouvir a tua voz?!

não são minhas as palavras
são tuas as que escrevem na areia

inédito, 2007/2012
(não autorizo a publicação, por susceptível de aperfeiçoamento) 

21 de novembro de 2012

Agrilhoados


Não há maior inimigo que aquela que advém da precaridade do trabalho e do mísero vencimento, que elimina a capacidade de reivindicação e de luta pelos seus próprios direitos e a capacidade de sonhar... Ainda se dizem livres homens e mulheres do meu país, mas já não são! Vejo escravos: agrilhoados às dívidas, à sobrevivência e conforto dos seus, em que as emoções belas e puras cedem perante a racionalidade... São as novas formas de opressão cujos frutos farão de nós portugueses um povo ainda mais acomodado, atrasado e triste. Não sei quando nos libertaremos deste trágico modo de existir, nosso destino libertará nosso fado e a plenitude do viver saberemos usufruir... E tanto politica, como intimamente, engana-mo-nos em quem surge inesperadamente, qual Desejado, que aparenta trazer o El Dorado resolvendo nossas dores e problemas...
Queremos acreditar e acreditamos. Até que o nevoeiro  se desvanece e seu rosto real vemos!... Não demos nenhum passo em frente, mas o nosso tempo, nossa vida, fomos perdendo ...

13 de novembro de 2012

(sem título)

Olha as estrelas brilhantes
tão longínquas esta noite… meu amor
espera, detém-te um pouco
no perfume que adoça a pele de teu corpo
deixa que escorra
o beijo em sangue que te dei

depois se queres segue caminho
não sei se é céu se é mar...
a ilusão desse azul negro que clareia

temo que das estrelas te percas
tão longínquas como eu... meu amor
e o brilho de teus cabelos louros
em minha concha mais recôndita guardei
  (inédito, 2012)

12 de novembro de 2012

Mágoa

Não tingirei minha mágoa com fel
cairá gota a gota
durante a noite em segredo
e cristalina
alimentando a terra em meu jardim

na primavera nascem novas flores

( inédito- 2012)


Rosas do Deserto


Rosas do Deserto do meu livro"o meu Amor é Árabe" , pág. 31, de 2002


Rosas do Deserto
Flores de Pedra!

Jardins de Incenso

Floriram
Fruto do nosso deslumbramento

O video que os alemães não querem ver


7 de novembro de 2012

Esta noite

Na noite bordarias a cama de flores
ao amares-me continuarias a amar-me
e não sentiria este imensurável silêncio
onde todas as palavras me adormecem

jorraria a luz sábia de todas as coisas
alimentada pela certeza do amor
... mas deixei que o tempo te levasse

A dor entregar-me-ia plena à Poesia
nada em mim é pequeno!... tu sabes
a concreta existência não me prende
o impossível levanta meu eterno voo
e impossivel agora apenas o teu amor

6 de novembro de 2012

Sprint

Não basta provar a boca, bebê-la fresca
nem correr o corpo só visando a meta
fazer o sprint, mais rápido que o outro

não basta erguer bandeira espetada a haste
medalhares-te, como em baliza para chutar

brilhantes serão os olhos ao descansar 
o cântico dos óasis, não guerra e vitória
e na verdade tudo será apenas conquista
querendo ser conquistador e conquistado

(inédito, 2012)
e como digo sempre
sujeito a alterações até que o publique em papel

5 de novembro de 2012

31 de outubro de 2012

Mortiça

Mortiça com a terra adormeço
cansada gasta seca gretada...
a noite é luz, clareando ondas e celeste azul

de manhã
florinhas de água cobrem a terra de branco
meus olhos noivam
minha alma é assim! como a terra morre
e renasce outra vez

Muralha

De quem não te guardas não vês perigo
entrando pela porta de tua casa
enraizando em teu jardim
... aos poucos deixarás de cuidar dela
julgando que lhe basta o que respiras

o que era surpresa hábito se tornará:
se brilha já não vês
se clama dirás que te persegue
se permanece em tua casa prende-te...

mesma é a espada que empunhas e te fere
a sós, o vinho e a lareira por acender
amurralhando-te uma vez mais ao teu ser

(2012)

26 de outubro de 2012

Neruda


Palavras de Neruda, repetem-mas
uma      
outra
outra vez

trazem-me o Amor
serei de novo Matilde
a única nos olhos de quem me lê

 

15 de outubro de 2012

Grito

Queres roubar-me ainda a mesa a casa o carro...

não sou mendigo! não sou do vento
meu corpo minha vontade a alma precisam de alimento
meu avô meu pai espelham a honra!

e eu deite-te as minhas mãos o suor meu pensamento...

( 2012, Outubro)

9 de outubro de 2012

Évora

Évora
pág 30 do meu pimeiro livro de Poesia " Alentejo Sem Fim", ed. 1999
relembro este pequeno poema que me parece tão urgente agora.

Já no séc. passado em pelo apogeu do capitalismo escrevia assim:


Évora

 

O Alegre viu em Évora

a Ogiva

o Branco

os Cálculos da exactidão

 

Quem me der ver em Évora

o Querer

o Viver

o Poder da Restauração

7 de outubro de 2012

Minha Mão


A mão, sinto a minha mão
pele veia carpo metacarpo dedos
sangue
não em outrem, minha mão em mim
rosto corpo dou recebo afago prazer
sem culpa medo

outras mãos em mim
nunca assim perfeito inteiro único

Morta



Querem-na morta, não dor mas pó
fantasma sem mar
entre fronteiras de certo e errado
que outra seja, outro sentir
mãos olhos palavras acorrentadas
sem escrever a página de Florbela
no branco mármore de seu túmulo

e temem o belo e a tristeza
da intensa papoila, delicada rosa
bordando o caminho frágil e azul
mesmo sem inalar o seu perfume 

4 de outubro de 2012

O meu desejo da palavra, sublimada

o desejo da boca sedenta
a tua ausência sempre...

não quero apenas flores pásssaros
o azul céu infinito
agora meu mar também

ando descalça pelo monte
rasga-me esta dor solitária
só o vento toma posse de mim...

Até Depois

Na noite clara expressámos a voz pura e magoada


irmanando sede e descrença, de nossos corpos sequiosos


nela dissemos até depois

- nem até logo nem amanhã

dando lugar ao sonho do encontro maior

e nem tu nem eu já sabemos colorir a aurora

12 de setembro de 2012

Cansada

Descanso...

agora, anos idos

o Sol brilha
a água ainda brota
na terra tenho os pés livres
as minhas mãos
e as palavras caladas são queixume

ainda meu corpo é jangada firme
os olhos vão além do horizonte
a boca sequiosa de um beijo
e detenho-me, em minha rendição
cansada, tanto tarda a sua conquista

(inédito, Set. 2012)
tanbém no facebook

31 de agosto de 2012

Parto

Parto

não guardo os beijos o sabor da pele
apenas me ferem as palavras...
- as tuas me encantaram

nem a porta abriste
e onde a houvera fez-se muralha
não cabe em mim a ânsia de ti magoada
nunca soube o grito
e minha voz perdeu-se em teu silêncio
às palavras escritas não há correio que as leve

regressou exausto o pássaro
esperou o verão para que abrisses uma friesta
(2012, agosto, inédito)

28 de agosto de 2012

Venda dos Livros - Alentejo Sem Fim e o meu Amor é Árabe

Terça-feira, 28 de Agosto de 2012
Venda dos Livros - Alentejo Sem Fim e o meu Amor é Àrabe.


Atenta a difícil situação económica do País e dos portugueses em geral, na qual me incluo sabendo que há muitos em pior situação que a minha, decidi colocar à venda os meus livros a preços inferiores ao custo da sua impressão.



Mesmo em tempos de abundância, situação em que a maioria de nós portugueses nunca viveu, não era fácil vender livros de autores portugueses, com excepção de alguns nomes consagrados. Mas mais difícil era, e sempre o foi, vender livros de poesia.

A poesia embora se solte, por vezes, da boca dos mais simples e humildes é associada a um mundo etéreo e a minorias intelectuais, inacessível à compreensão da maioria dos seres e desnecessária à sobrevivência e felicidade destes.

Ainda no século passado, no nosso país como noutros, a poesia esteve no meio do povo e foi conhecida pelas maiorias, ora descendo à rua fazendo-se arma ora nascida oralmente no povo e divulgada em quadras populares ou no cante...

È claro que muitos dirão de imediato " mas isso é a poesia popular, a verdaeira poesia é outra coisa"...



Não sei se a minha poesia é " popular" nesse sentido ou não, dado que na verdade sou nascida da terra, para não usar a expressão de José Saramago "levantada do chão" quando na verdade sou filha e neta de gerações e gerações de "levantados do chão" e foi como tal que vivi cada dia até completar os meus estudos e até conseguir um trabalho remunerado.

Ou seja as dificuldades económicas ( não vale a pena entar em promenores e a que acresceram dificuldades de outra natureza...) não são uma realidade desconhecida para mim - foi assim que vivi metade da minha vida.

Mas durante esse período contei com três apoios muito importantes que alicerçaram a minha sobrevivência, a minha força de vontade e a minha evolução com êxito:

- a esperança de que conseguiria um futuro melhor;

- a relação harmoniosa com a natureza, a contemplação e o respeito pelos outros seres e suas carcterísticas, a admiração da sua beleza ( fossem os animais, as árvores, as flores, o vento, o sol...);

- os livros, companheiros e mestres.



São ainda hoje esses os meus maiores apoios.

Vou-me descobrindo neles e conhecendo melhor os outros, renovando a minha energia.

Nem o Governo nem a Troika irão resolver o problema de cada um, se cada um não se munir de apoios para si próprio.



Não quer dizer que os apoios de um valham para o outro, o meu comprimido para a dor de cabeça pode não ser o adequado para quem sofre de dor na coluna, quem gosta de café fica insatisfeito com uma chávena de chá, etc...

Esta crise revela-se também redentora para muitos, levando à reflexão do que é importante, ao primado do ser sobre o ter, a uma requalificação de valores.

Quem sabe se esta crise não gerará muitas sementes para uma nova dimensão do ser humano, em que o indivíduo não sucumbe perante o colectivo, em que o humano inverta o sentido de destruição avassaladora de outros humanos e de outros seres e do próprio Planeta...

Eu acredito que sim, embora por enquanto, os pratos da balança estejam totalmente desiquilibrados chegará um momento em que uma semente mais bastará para fará mexer o prato da egoísmo, do fantismo, da ceguera fratícida... por isso eu acredito que cada pessoa tem potencial para fazer a diferença, uma pessoa não muda o planeta mas pode mudar algo em sua casa, no seu local de trabalho, na conversa com outrém, nas escolhas televisivas que faz, o que consome, no lixo que produz, como passa o tempo livre etc...

Somos tão poderosos e negamo-nos esse poder! Porque é mais cómodo "não levantar ondas" ou conformar-se com o "eu não posso mudar o mundo sózinho" e seguir os hábitos adquiridos, ficar no sofá frente ao écran da televisã no Facebook a ver passar o Mundo e a culpar o Governo ou os pais, o companheiro ou a falta de dinheiro...


Quem pretender aquirir os meus livros basta enviar um email para: marialascas@gmail.com

Posso enviar à cobrança ou por outro modo a combinar. No caso do envio pelo correio acresce a despesa simples ou à cobrança. Posso emitir Factura ou Recibo comprovativo.



Alentejo Sem Fim: preço do livro 2 Euros
o meu Amor é Árabe: preço do livro- 3 Euros


Plenitude: esgotado
Conta-me Uma História: esgotado

Irei colocar este Post também nos meus outros sites e na minha página do Facebook e outras redes.

Publicada por maria lascas em 09:31 Sem comentários:

Etiquetas: Alentejo Sem Fim, Maria José Lascas Fernandes, o meu amor é árabe, Ooesia

6 de agosto de 2012

Exposição de fotografia no Mercado Municipal de Montemor-o-Novo

Com o título " O Mar vem ao Mercado" encontra-se uma exposição de fotografias minhas até ao último sábado de Agosto no Mercado Municipal de Montemor-o-Novo, uma inciativa da Rede de Cidadania de Montemor-o-Novo que abriu um concurso para o efeito e cujo regulamento poderá ser consultado na sua página na web.
Quem visitar o Mercado não deixe de opinar num caderninho azul turquesa que ficou sobre a mesa - crítique, sugira...
Não seja indiferente, manifeste-se, diga o que pensou ou sentiu mesmo que não seja agradável de ler.
Diga não à indiferença numa vivência mais partilhada por um Alentejo melhor!

4 de julho de 2012

Coutadas intelectuais ou pseudo

Alentejana, filha e neta de pastores e ceifeiras ( gente de pele queimada pés descalços e barriga vazia) pouco entendo de coutadas.
A palavra lembra-me terra de mato onde veados lebres coelhos e perdizes viviam em liberdade até ao dia em que por ali entrava o exército de caçadores, homens de posses do lugar e de longe fardados com cão e espingarda em punho... e a liberdade lhes jorrava em sangue pelas roupas exibindo à cintura e nos carros os troféus!

Na verdade tal palavra nunca me agradou.
Com o correr da vida apercebi-me de muitas outras coutadas: políticas, religiosas, económicas, raciais... Nos últimos anos descobri as coutadas culturais ou pseudo, na verdade isso significa mentes fechadas, parciais, cheias de tabus, vaidades... ou seja tacanhez de espírito!
Sempre me tentei demarcar de qualquer grupo intelectual, mesmo a nível poético! ou sobretudo a nível poético. O que me causou dissabores, mas ainda bem que a tempo me retirei dessas ideologias.

Não sou alinhada e, por isso, não tenho camaradas de partido nem tenho que trazer os críticos ao colo, dar palmadinhas nas costas a quem me pode subsidiar ou publicar um livro...
E veja-se que caçadores destas coutadas até falam de liberdade, com exaltação sobretudo se for coisa do passado...
    
Folgo em dizer que continuo livre! ao menos na minha escrita...
Assim me revejo em Poetas como Eugénio de Andrade e Sophia, que me chegam de exemplo.

29 de junho de 2012

Do Amor

Do Amor nada restava

- se a lembrar o passado teimava

nem a aurora do encontro
o fogo sentido, ardendo! queimando

aquele barco longínquo
nem era meu leme nem meu destino
- tuas mãos haviam partido


as lágrimas salgadas
em minhas ancestrais raízes de terra
sementes de mim iriam florindo…

( inédito, 2012, marialascas)

30 de maio de 2012

24 de maio de 2012

"Florbela", de Vicente Alves do Ó [Teaser do filme sobre Florbela Espanca]


Adorei o filme Florbela, um filme de poesia que nos dá a poesia de Florbela sem precisar de reocrrer aos seus poemas. Argumento e realização de Vicente D'O: FANTÁSTICOS!
A não perder... e quem sabe o primeiro passo para revisitar a poesia de Florbela Espanca ou para querer conhecê-la. Neste filme encontrei muito da "minha" Florbela Espanca, como a leio como a imagino...

14 de maio de 2012

José Mourinho: a pessoa que é o melhor treinador do mundo




Considero interessante esta entrevista de Mourinho em que tenta explicar as raízes da sua paixão pelo Futebol e mesmo do seu êxito, um empreendedor que não teve medo de sonhar e de lutar sempre pelos seus objectivos. Um exemplo para cada um de nós - não nos acanharmos perante as dificuldades actuais... não nos considerarmos inferiores a nenhum outro povo! 

26 de abril de 2012

Museu de Brincar - Vagos

Sim em Vagos.. também me surpreendeu.
Em Vagos, mesmo no coração da vila, junto à Igreja Matriz no Palacete onde funcionou anteriormente a Câmara Municipal, mora agora um espaço de memória que é simultãneamente espaço de fantasia e aprendizagem.
Não é apenas um espaço para as crianças brincarem ou aprenderem, é também um espaço em que os adultos, agora pais avós tios... podem viajar no tempo, fantasiar de novo em suas vidas.

E tudo isto construído com sabedoria, beleza e sem exagero de meios - feito com autenticidade e afecto.
Mais uma prova de que quando o Homem quer a Obra nasce, a prova de que longe de Lisboa também há cultura e pessoas capazes de a construir para os outros, a prova de que em todos os lugares se pode construir um futuro melhor, basta não nos deixarmos limitar pelo que de fora nos é imposto seja pela tirania  mesquinhez, pela publicidade desenfreada, pelo negativismo ou preconceito, por rivalidades completamente inúteis e disparatadas...

CONVITE - venham a Vagos conhecer o Museu!
Maria José Lascas Fernandes

27 de março de 2012

A Espada

Eis o silêncio que escolheste e não faltam palavras

escritas vão e vêm
sem selos cola papel perfumado
o carteiro não toca não há risco de perdê-las
de outrém abrir a carta desvendar o segredo


tantos tantos lêem agora as tuas palavras
e quantos quereriam dá-las recebê-las
tocar-se com elas: como sabes escolhê-las!

de ti não quis palavras
só a profundeza dos olhos dos lábios
as mãos os corpos na busca intensa do silêncio

solitária, julgara um talismã em cada palavra
com uma desferis-te à distância tua espada
incredúla procuro um sentido que não entendo
que faz de em mim entre as mulheres indesejada


( maria jose lascas, inédito, 2012)

13 de março de 2012

Fugacidade

Meu Amor... ainda agora o disseste
e partiste

nem o botão em rosa floriu
o Sol de mergulhar no mar se cansou
nem a andorinha a refazer o ninho voltou

meu amor, disseste

enquanto a roupa caia dos corpos
um ao outtro se conheciam
no breve que a memória não marca

nem o cigarro acendeste
descanso de que carecem os guerreiros...
urgente e inócuo, tempo virtual me parece

sento-me na varanda onde moro
e conheço as palavras inteiras:
plenitude pureza harmonia

refugio-me...
ainda preciso de tempo
para aprender a fugacidade

(inédito, 2012, maria lascas, rascunho)

27 de janeiro de 2012

Alentejanos im Morada da Poesia

ALENTEJANOS



Os alentejanos caiam a terra da casa de branco
imaculada como a mãe
farejam-na como cães

... orégão poejo cardo para conduto do pão

no touro no Sol e papoilas derramam sangue vermelho
calam palavras e sonhos... lágrimas seca-as o vento
só grilos cigarras e corvos quebram tanto silêncio!


a esperança é ao nascer que o seu destino é partir
tão antigo esse anseio como a amargura de o fazer
solidão de vagabundo de que meu corpo é possuído!


( de Maria José Lascas in "Morada da Poesia, poetas celebram Manuel da Fonseca", desenhos de Manuel Passinhas e edição da C.M. de Castro Verde)

15 de novembro de 2011

Não Temas

Não temas, não irei esconjurar o teu silêncio

sou apenas a silhueta da noite

se desço sobre a terra quando adormeces
seguro em minhas mãos o peso que carregas
são assim as mães - velando o sono leve

ao acordares dar-te-ia o Sol!
mas tu não acreditas nas minhas palavras
e fechas todas as janelas…
fico a rodar a Lua Cheia
na simetria das horas dos anos que passam

já não tenho a ousadia nem o deslumbre
entrego-me aos pastores e a quem passa
tuas serão as mulheres que queres em tua vida…

e se descer na música das ondas deste meu mar
ao cântico da deusa sucumbirá o teu silêncio…

Novembro, 2011 (rascunho, inédito)


O Silêncio do Guerreiro

O Silêncio do Guerreiro




Tantas perguntas lhe tenho feito
não sei se o cala o medo ou o desprezo

... perdido meu ombro de mãe procurou
eu dei-lhe o meu corpo todo, conquistado
em mim inteiro! de novo se reencontrou
e depois partiu
ferido em armadura de aço
acusando-me de traição e de cansaço

dele sei a recusa e o silêncio
nem à outra face ferida agradeceu
querendo apenas que sua dor acalmasse
menino guerreiro só respira a vitória
não tombes armado!…
na caverna tem sonhos poesia música vinho
e o desejo de Mulher sem a dor de amar

nada disso, nem de amor, lhe perguntei
e por instantes meu ombro será de mãe
meu corpo já dei…
mas há mim tantos jardins por descobrir
desafios partilhas que só eu darei
júbilo êxtase e verbo que não conhece

venho pelo labirinto das sombras
esse caminho que não leva a ninguém
não temo armaduras o fosso da entrada
tantas muralhas já escalei!...
mas sentirá medo o guerreiro? desprezo?
este seu silêncio ainda me detem...

2011, Novembro

(inédito)

11 de novembro de 2011

Carta

                                                                                                           Meu amor



hoje só a chuva nos separa.
Não não é o tempo passado que entre nós dois inventamos; mera ilusão a fogueira longínqua apagada.
Arde em ti e em mim o fogo primitivo, elemento puro na essência da natureza.
Coberto ainda pelas cinzas poeirentas fumegam crenças códigos mitos lógicas falsas verdades que nos separavam, deixa meu amor que a chuva caia e leve de vez a cinza que nos amarra que em lama na terra se aquiete e um dia nova vida dela renasça.
Deixa meu amor que clareie em redor e em água limpa se espelhe a luz do fogo(do vulcão, dirias…). Se for vulcão que seja! ou fogueira acesa crepitando azinho, eu descalça em teu colo descobrindo-nos em cada beijo.
Não repetirás palavras dos poetas, as tuas dirás ao espaço aberto em mim desde sempre para as receber.

Nossa é a harmonia da música e do poema do cheiro da terra do marear das ondas da justiça e da coragem que nos irmana e todo o nosso ser arde em desejo.
Haverá rosas vinho pão romãs… e enquanto os dois corpos descansam levar-te-ei a tocar o céu azul da noite e tudo será único como eterno é o instante.
Já não chove meu amor… e por mais que adies o reencontro, acredita, em mim não corre o tempo.

Maria
11 de Novembro de 2011

10 de novembro de 2011

Trieteza-II

O poema é triste, dizem

como se fosse obrigação minha
alegrar almas lamber feridas estancar mágoas
fazer piruetas e palhaçadas
inverter a vida a crise o vácuo
falar só de sexo vinho flores aromas

mil vezes não!

ninguém me tira a liberdade das palavras
são como eu, doces frágeis impetuosas
extravagantes selvagens carinhosas
sentidas e verdadeiras
daçam comigo comigo choram
nascidas de mim em mim morrem

nada devo a quem me lê, nem o silêncio!
do meu amor soltam-se lágrimas
há em mim o rio dum barco inacabado

31 de outubro de 2011

O Cálice

Seu coração estilhaçado a razão do cérebro comanda
ainda que seja um buraco desarmado é vigilante
e defende até à morte a trincheira conquistada

no azul lunar do céu, longínqua dança das ondas
quase adormecerá… e ninguém o engana tanto!
logo os neurónios realinham:
amordaça o desejo do abstracto tece nova cortina
enxuga o corpo frio suado e corta a língua seca… 
haverá dia novo, a máscara tem-na colada ao rosto
jogos de palavras e teatro são o seu ofício


desgraçada daquela que lhe vê o rosto, leia os olhos
conheça brechas na trincheira - instante e partida
jamais servirá dois cálices à lareira 
se a campainha toca atenta a chuva na janela
duas, três vezes... é ilusão do vinho forte!
do cansaço do vento, quiça da idade...  


a desprezada no marmóreo corpo agoniza sem sangue
do vinho que ele no cálice solitário derrama gritando
a urgência do amor na vida, temendo-o mais que a morte…


inédito, 2011
( rascunho)

25 de outubro de 2011

Vem

Quero-te a ti, não o nome nada do que construíste


quero-te nu, como o seio de mãe te acolheu

vestirás a pele do meu corpo


traz mágoas cicatrizes mesmo o cansaço

... tudo se dilui na harmonia

vem remendando o barco subindo as dunas

qual cavalinho de pau cruzando o deserto

teu destino é a praia que se abre nas minhas pernas


na demora de cada dia que passa

o mar avança e leva de mim um grão de areia

e em ti o vazio cresce na cama onde te deitas

(inédito, 2011, maria lascas)

13 de outubro de 2011

Impostos

Despe-me a roupa que me deu forma, confere bem etiquetas


desce-me dos saltos que me alteiam

... arranca-me os brincos a que dão brilho meus olhos

tira-me a mesa, tolha subtileza da chávena vinho queijo pão

leva a cama, o brocado da colcha o cetim e a seda dos lençóis

todos os adobes e as tijoleiras do chão

(não, nem abóbadas nem arcos! meu pai os fez com a mão!

nem a cabana de jasmim que o amor me teceu)

o resto leva tudo! ficar-me-á sempre o infinito...

o Sol o céu azul a Lua-Cheia os pássaros meus irmãos

o meu sentir a minha paixão

poderás arrancar-me da terra, nunca a terra de mim

leva lápides de mármore e as ossadas de meus avós

sempre foram servos teus

esse é o poder do direito e a fraqueza do Império

… e nem há naus a lançar ao mar

nem filhos a dar à Índia ou ás granadas dos turras

e já nem há como partir, p’ra onde partir

nem jornaleiros para fabris, França ou Brasil

(que tão longe se fez Lisboa)



ficarei, despojada de tudo o que partir me deu

presa de novo ao horizonte

o pobre braço nem a colher da terra aprendeu!

- e é tanta a terra sem nada a fazer

como outros buscarei comida p´ra boca

na arte daqueles que fogem da morte

Lótus Cleópatra Madalena – um nome assim terei

hortelã da ribeira e orégãos do monte

tão saborosos mesmo em mesa de rei

nunca matam a fome à ganância das bestas….



12 de setembro de 2011

Esperaria

Esperaria por ti noite e dia, os anos todos se viesses...
de verdade és só coisa minha, inventada
meu desejo a minha fome
a pele da minha pele, da minha boca o beijo

não és quem à minha imagem se oferta
nem quem de mim se esconde ou persegue
nem quem virá... se alguém vier ainda
- outra procuram e batem à minha porta

eu que antes enganada me julgava
abria-me em feridas com quem purga
abro agora à noite no meu quarto a janela
e um anjo de luz pentei-me os cabelos

( os pássaros sabem se sonho ou dormo acordada )

mas entre o céu e o meu corpo não há mais nada
que esta mágoa de ser só, que sou eu também
e o infinito desejo por mim criado
minha pele corpo não quer que não seja eu

( rascunho, inédito, 2011)

5 de setembro de 2011

Mulher Proibida

Ele conhece da mulher proibida a alma de cristal

a boca o desenho dos lábios
nos cabelos as ondas os sonhos os dramas
a tocha da fogueira que seu corpo conduz
e recusa-a ignora-a
não como o marinheiro que nega a sereia
e em seu sonho pueril acalenta e deseja
da sua forma dirá ser pedra fria de mármore
e talvez lhe invente carácter venenoso e ignóbil
de forma a controlar seus impulsos enquanto dorme
e não é o mandamento da cobiça que o impede!
deixa que seu olhar noutras o desejo incendeie
nem é incesto ou crime ou honra…
apenas seu mundo rodando no eixo que em si fez

… qual velho naufrago em porto seguro
olha agora o mar pela vidraça: só tempestade vê
soletra poemas de amor por mera saudade
não constrói barco novo, fica do passado refém
- nunca foi seguro o porto se não se avista mais além
e cego é o olhar daquele que seu cristal não vê
tonto ou fraco quem nega seu próprio ser
proibida chama à que não pertence a ninguém

(inédito, rascunho, ou seja susceptível de ser alterado por mim)
2011

23 de agosto de 2011

O Leque

O Leque

Não tenho mais palavras para ti
queimei em meu fogo minhas amarras
e logo hasteas-te a vela, partiste

... que te levem os elos todos do vento!

o que te empurra notícias de ti trará:
seja naufrágio ou regaço a que aportes
não haverá em mim palavras
a que eu antes fora não viverá
e sua última lágrima sempre foi do mar

assim fecha o leque sem o adeus da partida
dele guardarás a eterna brisa
eu o olhar do louco que o coloriu 

mas há tantos barcos! tantos!...

a chegar a partir à ilha a que me prendo
ainda vendo colo alento extâse fantasia!
só palavras minhas iguais já não tenho...
( inédito, 2011,
rascunho ou seja a minha primeira escrita que pode vir a sofrer pequenas alterações... aqui ou em ulterior publicação)

11 de agosto de 2011

maria bethania- negue


Segue o Teu Destino


O Retrato



Queria ser como ela! livre
cabelos de ondas vermelhas ao vento
a bênção do sorriso
e os olhos tristes de sedução

no corpo esquecido em regaço de rosas
as pernas cruzadas e o peito
erguendo-se no bambolear das ancas firmes
a dança do frufru das pulseiras

livre!
… e no retrato ainda serei eu?!
(inédito, 2011)

9 de agosto de 2011

Santiago do Escoural

Santiago do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, é conhecido sobretudo pelos seus achados arqueológicos, nomeadamente pela gruta com pinturas rupestres. Mas oferece mais do que isso a quem se dispuser a viajar, pela memória dos chocalhos das fontes dos fornos de cal ou simplesmente pelos manjares da boa mesa tradicional no Restaurante do Manuel Azinheirinha...

Algumas instantes do meu olhar:








11 de julho de 2011

Carta da ausência

Carta da ausência

Em tarde de Sol nasci da terra, já tu abrias os olhos de espanto.
Envolta no círculo de azul e branco ouvia o silêncio do nada enquanto te ensinavam a vida, o trabalho e a família, a sobrevivência a partilha e a conquista.
Crescemos do leite e os dias, e víamos e ouvíamos coisas que aos outros não interessavam mas que despertavam a nossa sede de ser.
E fomos. Perdemos e ganhámos. Percorremos, sem recuar mas ás vezes solitários e tímidos, planícies ondas montanhas até nossos trilhos se cruzarem.
Então reconhecemos nas palavras os nossos sonhos e no olhar nossos sentidos.
Houve encontro e partida, o fogo das entranhas da terra e as lágrimas dos oceanos, a matéria e alma, o rosto e o verso de que é feita cada coisa.
E como antes havíamos feito depois haveríamos de fazer, prosseguindo sarando chagas, arrastando a cruz, velando e erguendo-nos para tocar a estrela que nos conduz.
Havia memórias, marcas da alegria e da mágoa, mas nossas bocas no olhar se encontravam sempre que de nossos caminhos se avistavam…
Ainda tememos as próprias palavras, preferindo as de poetas que do impossível falam… Mas a beleza da alma é pouco, mesmo em harmonia, quando vazias as mãos se abraçam de noite ao próprio corpo… E nada nos é proibido, o medo e a culpa são artifícios e fantasias negando a essência de Deus.
Sei que meu sorriso renasceu e, em teu lábio de menino, faz tremer o teu.

Amor? nunca o disseste e nunca o direi.
Amor é pouco! dúbio e vulgar…
Para ti guardo a palavra nova em meu silêncio.


(inédito, sem data)